sábado, 19 de novembro de 2011

Contos Twitteranos [2]

Contos Twitteranos

Contos para o Twitter
Contos que, como no Twitter, devem conter
um máximo de 140 toques.
O mais legal é fazer com que fiquem
com exatos 140 toques.

21) Ois e tchaus [140 toques]
Manhã, ponta da praia, o navio passa. Branco e enorme. Final da tarde, a mesma cena. Aos primeiros é: - Oi! Aos outros é: Tchau, boa viagem.

22) Domingo [140 toques]
Domingão chegou e minguou. Passou rápido e anuncia a 2a.-feira. Mais uma semana à nossa frente. Por que ela não passa rápido como o domingo?

23) O Fã <1> [140 toques]
Largou tudo sem deixar recado. Pegou caronas e sumiu. Mãe e pai preocupados com o sumiço. Até verem a TV mostrando a plateia no Rock in Rio.

24) O Fã <2> [140 toques]
Largou família e trabalho. Desapareceu sem deixar rastro. Só voltou quatro dias depois. Retornou sujo, barbado e com um Rock in Rio tatuado.

26) Na geladeira [140 toques]
Ele deixou um último pedaço do doce pra ela. Ela deixou o pedaço pra ele. Ficou esquecido, esperando na geladeira. Quem comeu foi a lixeira.

27) Travestindo [140 toques]
De dia, João. De noite, Maria. A noite entra e lá está "ela" ganhando a vida. Passa um e outros e passam os anos. Quer um canivetinho suíço?

28) A cunhada [140 toques]
Teria ele se casado com a imã errada? A cunhada era uma coisa de louco. Sonhava acordado. Bom pra ele. Quando percebeu, ela, de AIDS morreu.

29) Vida dura [140 toques]
Ele gostava de moleza. Mas a vida era dura. Sofreu até perceber que para ter uma vida mole precisava dar duro. Deitou-se na rede. Era muito.

30) Envelhecendo [140 toques]
Mais um ano ela completava. Das espinhas tinha se livrado. Haviam cedido lugar às rugas. Fazer ou não fazer umas plásticas? Oh dúvida cruel!

31) O pinto (140 toques)
O pinto não conseguia subir. Solitário, pra baixo. Tentativas vãs. Impossível. Pensava sério: um dia cresço, viro galo e subo nesse poleiro.

32) A roubada [140 toques]
O ladrão pulou o muro. A recompensa estava próxima. Era pegar, pular o pequeno muro de volta e sumir. Não viu quatro Rottweiler espreitando.

33) Disparada [140 toques]
Pegou o carro e saiu em disparada. Não viu o sinal, não viu o poste, não viu o menino e nem viu o guarda. Sorte que eles também não o viram.

34) Um tiro? [140 toques]
Um tiro? Sobressalto geral. Com medo, ninguém quis ir ver. Dia seguinte nada havia na rua e ninguém soube que era só o escapamento da moto.

35) O livro (140 toques)
História infinda. Limitada nas folhas, mas solta na imaginação. Cada parágrafo pode causar uma viagem em pensamentos. Como o cinema vencerá?

36) Olhos [140 toques]
Na hora de brincar, brincava. Era companheiro. Hora de trabalhar, trabalhava. Era pura confiança. Vacilar não podia, afinal era um cão guia.

37) Foi-se [140 toques]
Fechou os olhos. Cerraram-se as cortinas. O silêncio imperou e uma lágrima escorreu. Não mais sorria. Não mais encantava. Era o fim da vida.

38) A feia [140 toques]
Espelho não tinha. Tão feia, não olhava o próprio rosto. Só no trabalho se sentia bem - não notavam sua feiura. Trabalhava no Lar dos Cegos.

39) Insensatez [140 toques]
Criança. Ela era dona de uma insensatez ingênua. Não media as consequências das palavras. "- Mamãe, esta aqui é a moça que traiu o maridão?"

40) Atenção [140 toques]
Rua movimentada. A mãe, de mão dada com a criança, vai atravessar a rua. Ela dá o primeiro passo e pára. A criança não. Sorte! O carro, sim.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Príncipe Encantado

O Príncipe Encantado

Ele era o rei da lagoa. Um belo espécime, um sapão de primeira.

Todas as sapas suspiravam por ele. Educado, gentil e como coachava bem. Não desafinava nunca.

Não tinha nada a ver com os outros sapos ao redor, uns sujeitos sem educação, grosseiros e feiosos.

Os sapos, revoltados com o domínio que aquele cara metido possuía e fazia com que arrebatasse todas as garotas da lagoa, reuniram-se para tentar encontrar uma solução.

Depois de muita discussão, a conclusão:

- Ele só pode ser um príncipe encantado! Disse um.

- É mesmo, respondeu outro. Lembro que ele apareceu do nada, envolto em uma cortina de fumaça. Foi muito estranho.

- Vamos, então, procurar uma princesa para beijá-lo e assim ele volta a ser príncipe e sai daqui.

E assim fizeram. Montaram um grupo com os mais corajosos e saíram desbravando o reino à procura da princesa.

Depois de alguns meses de uma longa jornada, com alguns ficando pelas lagoas do caminho, três sapos mais resolutos encontraram a tão sonhada princesa.

A jovenzinha estava sentada à beira de um laguinho, sonhando acordada.

Abordaram-na sem medo e, como só acontece nas fábulas, conseguiram conversar com a jovem e convencê-la a segui-los em direção à lagoa onde estava o príncipe encantado.

A jovem colocou-os em sua carruagem e partiram em direção à lagoa.

Lá chegando os três foram correndo chamar o sapão que, como sempre, estava rodeado de belas sapinhas.

Depois de tanto tempo, a chance de voltar a ser príncipe o animou sobremaneira. Aos saltos foi ao encontro da princesa que o beijou e... zás!

Ei-lo novamente em sua forma humana. Um belo rapaz, cheio de energia e pronto para voltar a ser o príncipe de antes. Ainda mais agora, junto a uma bela princesa.

Mas os dias foram passando e a vida não era interessante. Algo o incomodava. Sentia falta de alguma coisa que não sabia o que era.

Sofreu com isso até que a ficha finalmente caiu.

Acostumado à vida no brejo, onde era rei, não queria mais ser príncipe.Príncipe 2

E aquela comida então? Não havia nada mais nojento que aquilo tudo em cima da mesa. Queria as moscas de volta.

- Maldito beijo desencantador!

sábado, 22 de outubro de 2011

Objetivos na vida

AlvoAcredito piamente que para se vencer, no que quer que seja, principalmente na vida, é preciso ter um objetivo e traçar um caminho forte para alcançá-lo.

Sempre é tempo de pararmos para pensar e nunca é tarde demais para isso, pois, enquanto houver vida, podemos mudar para melhor, aliando nosso objetivo a uma boa dose de força de vontade e persistência.

Isso tudo sem radicalizar. Precisamos também entender e aceitar a “arte de engolir sapos”, haja vista que haverá muitos pelo caminho. Pode até, num primeiro instante, parecer contraditório já que, para engolirmos alguns batráquios, teremos de nos desviar do caminho traçado em direção ao objetivo a ser conquistado.

Nada de contraditório. Cada batráquio deglutido é apenas um desvio, como se uma ponte tivesse caído - você desvia do caminho e volta para a estrada tão logo possível.

Nem sempre o caminho mais curto é o mais rápido. Temos que ponderar com cuidado, termos noção exata sobre o desvio do caminho a ser seguido. “Engolir sapo” é ter jogo de cintura, isto é, saber ceder sem prejuízo de seu orgulho, honra ou ética.

Às vezes (ou sempre) vale mais a pena ceder que manter uma linha dura.

Um detalhe importante também, que devemos considerar na trajetória traçada é contar com pessoas que possam realmente contribuir com o sucesso da, digamos, missão.

Não para que sejam usadas, mas sim transformadas em parceiras - respeitando-se os limites de cada uma delas - para que alicercem nossa base de sustentação subam conosco e, juntos, conquistemos o objetivo minimizando os riscos de insucesso ou retrocesso.

Objetivos traçados? Conquiste-os com sapiência.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Contos Twitteranos [1]

Contos Twitteranos

Contos para o Twitter
Contos que, como no Twitter, devem conter
um máximo de 140 toques.
O mais legal é fazer com que fiquem
com exatos 140 toques.

01) Doce ou travessura? (140 toques)
O menino tenta esconder. A menina olha querendo. O menino acaricia o saco. A menina olha mais. Rapidamente ela puxa o saco e rouba as balas.

02) Vida bandida (140 toques)
Com ele era na base do "mato ou morro". Ou corria pro mato ou corria pro morro, mas permanecia vivo. Sabia que o babaca é quem mata ou morre

03) A vida (139 toques)
A vida era sem sentido. Mas aí a luz apareceu e ele nasceu. Mamou, cresceu, namorou, casou e percebeu: a vida dele não tinha mesmo sentido.

04) A Viagem (140 toques)
O navio zarpava e a moça acenava. O rapaz, ao lado dela, que a tudo assistia querendo que ali estivesse o irmão da moça que em terra ficava.

05) TV em 3D (140 toques)
Um filme passava na TV. O marido elogia: a nova TV em 3D era demais - sentia até o cheiro. Não era o filme - na cozinha ela queimara o pavê.

06) Mundo rural (140 toques)
O cavalo galopou veloz para cedo chegar. Não via a hora de abraçar a amada. Mas, chegou cedo demais - o folgado do Ricardão ainda estava lá.

07) Insonia (140 toques)
A noite chegou e a cama chamou. Dormir não conseguia e o dia não amanhecia. Foi um tormento para ser esquecido. Por que não apagou as luzes?

08) Pingando (140 toques)
A água ping pingava. As ping gotas caíam na ping pia. Eu queria ping cochilar e não conseguia. Tortura ping chinesa não a aguento ping mais!

09) Escotismo (140 toques)
Alvorada. Tocaram a corneta. O menino combatia o sono. Apertava os olhos para acordar. Havia um lema a obedecer. Como ficar "Sempre Alerta"?

10) Grito de liberdade (140 toques)
20 anos de casado e ele chora muito. Se na briga tivesse matado o sogro, e não casado, teria sido preso. Hoje estaria livre. Pegou perpétua!

11) Rodeio 1 (140 toques)
1 segundo. 2 segundos. 3 segundos. 4 segundos. 5 segundos. 6 segundos. 7 segundos. 8 segundos. Peão ganhou e touro perdeu. A plateia vibrou.

12) Rodeio 2 (140 toques)
1 segundo. 2 segundos. 3 segundos. 4 segundos. 5 segundos. 6 segundos. 7 segundos. Caiu. O Cowboy perdeu e o touro ganhou. A plateia vibrou.

13) Perdidos (140 toques)
No escuro, a luz da lanterna iluminava o caminho. Os dois juntos não se perderam indo. De nada adiantou, perderam-se na volta. Faltou pilha.

14) Um Canto de Liberdade (140 toques)
Um pássaro canta triste. Outro canta alegre. Um está na gaiola e o outro num galho da árvore. Como pode alguém cantar alegre enquanto preso?

15) Bruto (140 toques)
Homem mau. Macho a toda prova. Não se importava com ninguém. Não pedia, mandava. Moleza? Não! Dava é porrada. Chega em casa e: -sim querida?

16) A Formiga e a Cigarra (140 toques)
A menina estudava. O menino jogava. Ela lia. Ele corria. Ela aprendia. Ele se perdia. Ela fazia a prova. Ele, ele... ora bolas, colava dela.

17) Futebol (140 toques)
Rola a bola. Correm os homens e suam os corpos. As mulheres, à beira da quadra, a tudo assistem. Gol que é bom, nada e a cerveja esquentava.

18) O começo da vida (140 toques)
A louca corrida. Milhares e o mesmo objetivo. Um alvo a ser alcançado. Apenas um vencedor. Tudo acaba. Quem perde, morre. Quem vence, nasce.

19) O jogo (140 toques)
Noite alta e os amigos ainda jogam. Das esposas não sabem. Julgam-nas em casa. Eles bebem e jogam. E as mulheres há muito na balada. Cornos.

20) Sinceridade (140 toques)
A vida dela é uma grande mentira. Finge gostar de todos e não gosta de ninguém. Mente sem ligar para a verdade. Que fim levou a sinceridade?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Metade é melhor que nada?

DoaçãoHá vários erros médicos nos prontuários deste Brasilzão afora. Meu nome é Henrique (*), faltam apenas alguns dias para eu completar 56 anos e também tenho minha história de erro médico.

Na verdade não foi um erro médico (não como consta na maioria dos prontuários) mas, na época, pensei que tivesse sido e só percebi o engodo quando era tarde demais.

Sim, não foi erro, foi falcatrua. Um golpe duro de ser absorvido.

Bem, vamos ao relato:

Nos idos finais dos anos 90 do século passado, eu me propus a doar uma parte de meu fígado a um desconhecido.

Como vocês sabem, o fígado se regenera, ou seja, o pedaço tirado cresce novamente assim como acontece com o rabo da lagartixa ou a patola do siri ou caranguejo e, por isso, podemos doá-lo em vida.

Pois é. O receptor era um milionário - não pensem que ganhei algo com isso. Negativo. Tenho o firme entendimento de que as boas ações é que fazem deste mundo um lugar melhor para vivermos e as ações deste tipo, com certeza entram nesse rol.

Bem, chega de divagações e voltemos à minha história.

Fizeram todos os exames de compatibilidade, o chefe da equipe era um dos maiores cirurgiões do Brasil e dava para notar que não se poupava - os gastos eram faraônicos.

Tudo certo, fomos os dois para uma área de isolamento em uma preparação final para o transplante.

Muitas horas de cirurgia e tudo correu bem.

Voltei para o meu quarto. Eu disse quarto? Aquilo era maior que meu apartamento.

Minha esposa estranhara o local da incisão, bem no meio do peito mas, como somos leigos, levamos tudo numa boa. Afinal o transplante fora um sucesso e os dois estavam mais que bem e isso era o que importava.

Voltei para casa e o tempo foi passando... passando.. e algo estranho estava acontecendo.

Eu gostava de tudo pela metade. Amava menos minha família, a cachorrinha de casa também sentia isso com relação a ela.

Era algo singular pois, por um lado tinha aquele amor verdadeiro e, por outro, algo mais frio, mecânico.. bem estranho.

O Palmeiras, meu time do coração, também foi afetado. Gostava dele, mas, como direi... apenas meio gostar.

É isso, achei a palavra certa. Tudo o que eu gostava, parecia que tinha se transformado em um meio gostar. Eu não entendia.

Parte eu gostava pra valer e parte era aquela coisa fria, sem graça.

Procurei uma psicóloga, a Doutora Renata Welson, e ela fez várias análises, fuçou a fundo desde a época do transplante - foi a partir dele que esses sintomas estranhos se manifestaram - e nada achou.

O tempo ia passando e eu sempre amando pela metade.

Até o dia em que fui consultar um médico para ver como andavam minhas triglicérides, colesteróis etc... em um dos exames constatou-se a grande verdade.

Não haviam tirado parte de meu fígado. Eu passei a amar pela metade porque tiraram metade de meu coração e, no lugar desta metade, puseram uma máquina!

Milionário filho da mãe!
QUERO DE VOLTAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(*) Nome verdadeiro, texto fictício.

sábado, 10 de setembro de 2011

Maldita impressora

Impressora
Edu, aos 12 anos, era um jovem bastante esperto e ansioso por novidades.
Os trabalhos escolares eram tirados de letra, sempre munido do fiel computador não dava chances para o azar e as notas baixas.
Mas ele, diferente dos colegas, não era adepto do famoso Ctrl C / Ctrl V. Ah não, com ele era diferente.
Edu gostava mesmo de ler e fazer os resumos tirando um pouco de cada texto lido, curtia ver o trabalho pronto, imprimido.
Impressão. Esse era o grande drama de Edu.
A impressora, definitivamente, não gostava dele e sempre encrencava, comia as folhas, prendia o papel, a tinta vazava. A hora da impressão era a própria lei de Murphy: se tinha de dar errado, dava.
O rapaz nutria verdadeiro ódio por aquela peste de máquina encrenqueira, que nunca ajudava e, volta e meia, o obrigava a levar os trabalhos para imprimir na Lan House.
Assim passavam os dias até que Edu deparou-se com o computador de seus sonhos. Uma máquina totalmente wireless com impressora acoplada no próprio corpo do computador. Pelo que viu, até a CPU era pequena, e tudo estava ali, juntinho: teclado, CPU e impressora - compacta e de impressão imediata. Era a solução!
Era digitar e a impressão já ia saindo de forma automática, sem problemas, sem folhas presas. O texto ia da cabeça para o teclado e, dali, direto para a impressão.
Que maravilha. A máquina dos sonhos virara, de imediato, o sonho de consumo do jovem Eduardo.
Sem mais pensar em nada, mandou um torpedo para o pai explicando, como podia, os detalhes daquela maravilha tecnológica. "Pai, você precisa ver. Com certeza é um lançamento novo, ainda não vi nas lojas, mas preciso ter uma dessas. A máquina é maravilhosa!"
O pai, sempre preocupado em dar ao filho tudo o que necessitasse para incentivá-lo, especialmente nos estudos, logo acessou o Google à procura da máquina maravilhosa que tanto encantara o filhão.
Procura daqui, procura dali e... nada. BuscaPé; UOL busca: NET Procura; MasterBusca, Bucaajato e outros tantos sites de busca, alguns até completamente desconhecidos e... nada de novo.
Mandou a secretária às lojas especializadas, consultou amigos, perdeu a manhã toda, sem nada localizar.
Será tão novo assim? Não podia ser, pois o filhão vira alguém usando.
Passado algum tempo, desistiu. Precisava falar com o filho, ver onde e como ele vira a máquina, obter mais explicações.
À noite, ao chegar em casa, foi logo interpelar o Edu:
- Meu filho, sobre aquele torpedo que me enviou, procurei em tudo quanto foi lugar e não achei nada desse computador compacto. Onde você viu essa máquina?
- Ah pai, disse Edu. Eu vi na loja do pai do Junior. A moça estava imprimindo o texto na hora em que chegamos. Fiquei com vergonha de pagar um mico e perguntar sobre aquele computador, mas achei demais.
- Bem, então vou até lá amanhã para ver como é e onde o compraram. Você não se lembra de nenhum detalhe?
- Bom, eu lembro da marca e do modelo. A marca era Olivetti, o modelo era o ET-1250.
- Hã?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Aos tapas

BrigaLá estavam Samuel e Maurício atracando-se, aos tapas, empurrões, xingamentos, tentativas de socos e ninguém conseguia separá-los para poder explicar o que havia ocorrido, que era tudo um mal entendido.
Briga feia, daquelas que nem polícia consegue apartar.
Mas, qual o por quê dessa briga?
Bem, para entendermos isso, precisamos conhecer os dois personagens desta história e voltar um pouco no passado. Então, vamos lá.
Samuel, com seus 16 anos, era um adolescente simpático, sem grandes manias e que gostava muito de ler. Todavia, por um distúrbio de nascença, tinha dificuldades na fala e possuía uma grande falta de coordenação - não conseguia andar direito e pegar algo era complicado.
Sempre de bom humor, levava a vida na brincadeira e, na prática, somente ficava bravo, e muito, quando alguém o imitava nos trejeitos do andar ou falar. Deixava a educação de lado e cobria o engraçadinho - fosse quem fosse - de tapa, socos, pontapés e o que mais conseguisse. Conversar? Que nada, o tratamento aí era, como ele próprio dizia, "na porrada".
Maurício, aos 17 anos, era também um simpático adolescente, brincalhão por natureza e, tirando a mania de ler, era um jovem sem vícios. Vivia para a vida, uma vida feliz apesar dos percalços advindos por uma dificuldade motora que lhe impunha um andar desajeitado e uma fala meio esquisita.
Tirá-lo do sério? Ninguém conseguia a não ser que o imitassem no andar ou na fala, aí achava que estavam fazendo pouco dele e partia logo para a briga, sem explicações, "partia para a ignorância", como fazia questão de afirmar. Este desaforo não levava para casa.
Mas há um terceiro personagem nesta história, um sujeito brincalhão chamado Destino que, sem perder a oportunidade assim que ela bateu à porta pela primeira vez, fez com que Samuel estivesse saindo do cinema enquanto Maurício lá entrava.
Um olhou para o outro, o outro olhou para o um e, bem, o resto não é difícil de imaginarmos, afinal, passou o mesmo pensamento em cada uma das cabeças: "- O que pensa aquele moleque metido me imitando em público? Estaria ele pensando que aqui não tem homem?"
A ignorância aflorou concomitantemente dos dois lados e aí, bem, aí é o começo desta história.
Mas, com certeza há de termos um final feliz pois, com o caso explicado - isso se um dia pararem com a briga - eles têm tudo para serem bons amigos e darem boa risada desse episódio.