domingo, 20 de março de 2011

Falta-nos ver

Assisti a Avatar, aliás, como muita gente por este mundão afora, e passou-me despercebida a profundidade do cumprimento feito pelos habitantes de uma das três luas do fictício planeta Polifemo.

Despercebido até que fui alertado por uma amiga, a Dra. Lilian, quando ela comentou sobre a forma de cumprimento dos nativos de Pandora, os Na’vi, que chamara a atenção dela.

- Eu vejo você.

Três palavrinhas simples que contêm uma profundidade incrível e algo que está nos faltando hoje em dia. Eles não estão apenas olhando para o interlocutor, estão vendo-o em seu interior, a sua natureza.

Hoje nós apenas olhamos sem ver. Vale a boniteza facial, o volume das nádegas, a barriga tanquinho, coxas bem torneadas e toda uma somatória de quesitos que compõem a beleza física.

Este critério de beleza muda com o tempo. Antes eram as gordinhas que faziam sucesso, e tinham que ter a tez totalmente branca - daí os chamados “sangues azuis” -. Hoje, já faz sucesso quem está no peso certo, ou abaixo dele, e possui um corpo bronzeado.

Mas, o que não muda? A importância do interior das pessoas, sermos vistos como quem somos e não como o que somos. Infortunadamente vale a aparência e não a essência.

Exemplo básico no cinema: O Amor é Cego, comédia romântica com Jack Black e Gwyneth Paltrow. Ele, um homem comum que só repara em mulheres bonitas passa a ver somente o interior das pessoas e os olhos acompanham o fenômeno, deixando-as tão bonitas por fora quanto o são por dentro.

Neste mundo frio em que o bullying faz sucesso, no qual o feio perde a concorrência por um emprego, sobrepujado pela beleza dessa ou daquela candidata com mais “atributos”, mesmo que não tão eficiente, faz falta o “eu vejo você”.

As religiões pregam o amor, o altruísmo, o bem fazer. Se as pessoas deixassem de olhar para o próximo e passassem a vê-lo, certamente evitaríamos algumas manchetes sensacionalistas em que vale o espetaculoso.

De certa forma, em janeiro de 2009, esta superficialidade do mundo atual já foi tratada neste Blog (Ser competente não é o bastante), mas continuamos julgando primeiro pela aparência e, depois, pelo resto.

Quer um mundo melhor? Pare de olhar e comece a ver.

domingo, 6 de março de 2011

Caminhando...

Amanheceu eu peguei a viola

Botei na sacola e fui viajar

Um texto feito com TÍTULOS e partes de letras de algumas das músicas compostas e/ou cantadas por dois caras que eu admiro. Não são desses cantores comerciais que vendem muito e estão sempre na mídia, mas são dois caras pra lá de bons que sabem fazer a verdadeira música para um caipira, como eu, gostar de ouvir.

Almir Sater e Renato Teixeira.

Caminhando ...

Abro a janela e vejo O QUINTAL DO VIZINHO, mas o que chamou minha atenção foi, quando eu abri a janela, notar que o dia estava tão lindo.

A noite se foi e o dia clareava.

AMANHECEU EU PEGUEI A VIOLA, botei na sacola e fui viajar. E assim começou meu dia naquele amanhecer quase ensolarado, mas lindo.

TOCANDO EM FRENTE, ando devagar porque já tive pressa e agora só quero apreciar. Vou andando, APRENDENDO A VIVER e as coisas do mundo vão se traduzindo e o tempo é o vento que vai conduzindo.

Apreciar esses ares, com JEITO DE MATO, da chuva que teima, mas o céu rejeita e aos poucos faz o sol brilhar nesta ROMARIA. De sonho e de pó, o destino de um só.

Só, mas não solitário. Há muita diferença aí.

Às vezes também não tão só. Deparo-me com uma COMITIVA ESPERANÇA que se junta a mim durante parte do caminho. Nossa viagem não é ligeira, ninguém tem pressa de chegar e isso é muito bom, pois essa é a ideia.... viajar, passear, aproveitar... sem querer saber da hora, só pra variar.

Dessa comitiva, fica uma AMIZADE SINCERA, uma amizade caipira. Amigos daqueles que sabem entender o silêncio e manter a presença mesmo quando ausentes.

O VENTO E O TEMPO estão a nosso favor e o meu caminho, eu mesmo penso. Vou seguindo, deixando saudade.

A SAUDADE É UMA ESTRADA LONGA, nem é boa nem é ruim, vou seguindo sempre adiante e lá vou eu, vivendo a vida.

Pois é, EU FUI AQUELE QUE ANDOU sessenta léguas num dia para ver se breganhava tristeza por alegria. E não é que consegui?

ANDAR A PÉ, ir em frente nas ondas dos ventos, nas ondas. Vejo MENINOS indo para casa e noto que o céu estrelado hoje é minha casa, que fica mais bonita quando tem luar.

Vejo meu rastro, é só poeira. A POEIRA É OURO EM PÓ, fazendo valer cada passo dado e a vida fica aquecida, a alma parece o sol iluminando caminhos.

Mas, temos RAÍZES e hei de voltar. A luz vai invadindo a terra, o que a noite não revela o dia mostra prá mim. Amanhecer é uma lição do universo que nos ensina que é preciso renascer.

E, neste dia de caminhada, renasci, aprendi e vivi. Vai deixar saudade.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

E a banda passou

Não, nada tem a ver com a música do velho Chico - também não falo aqui do Rio São Francisco, mas de outro Chico, hoje, também “velho”... Chico Buarque. E nem eu estava à toa na vida.

A banda que passou, ou melhor, as bandas que passaram deixaram uma grata saudade adormecida em algum ponto deste emaranhado que é meu encéfalo. Às vezes, sonambulando, ela passa pela memória viva e minha mente acorda para curti-la mais um pouco, evitando que se esvaia de vez.

Lembro-me perfeitamente dos ensaios noturnos pelas ruas de Jacareí, naquele tempo ainda a Terra dos Biscoutos (isso mesmo, biscoutos) por causa dos salgados e doces biscoitos feitos na outrora grande e famosa Fábrica de Biscoutos de Jacareí que tinha suas latinhas azuis e jacaré desenhado vendidas até na beira da Rodovia Dutra. Hoje, uma padaria de tamanho médio, mas isso é outra história.

O Gordo, nosso instrutor gritando aqui e ali com este ou aquele, andando, suando, falando, gesticulando e se esforçando para que tudo desse certo.

E eu lá com meu surdo - bumbo para os leigos - com baquetas feitas no torno da fábrica de caixões de defunto que havia perto da minha casa.

Parece que foi ontem em que fui a um dos ensaios com uma luva industrial - uma daquelas de couro que os soldadores usam. Meu par de luvas havia sumido e girar as baquetas sem luvas era machucado na certa (até hoje guardo, no vão dos dedos, algumas marcas daquela época.

E lá veio o Gordo... “Pô meu, no dia do desfile você não vai usar isso. Não é?”

Há muitas histórias de desfiles nos 7 de setembro, aniversários da cidade, concursos e tudo o mais.

Ah sim, esta fanfarra era do CENE, colégio estadual que tinha um nome bem curtinho: Colégio e Escola Normal Estadual Doutor Francisco Gomes da Silva Prado. Certa feita, em um concurso em Guarulhos, pegamos o segundo lugar como Banda Marcial (tivemos nossa patente promovida por um engano na inscrição e quase levamos. Seria o mesmo que um peso leve ganhar de um peso pesado no boxe. Boxe? Ah não, agora é UFC).

Depois, mudamo-nos para Campinas e fui estudar no CEPAF (Colégio Estadual Professor Anibal de Freitas) e, claro, tocar na fanfarra de lá.

Não tocava mais surdo. Agora era fuzileiro (a foto que ilustra este texto é dessa época).

Meu melhor amigo lá era o Tôntoli - não Luiz Antonio como a maioria. Ele tinha de ser diferente, então, era Antonio Luiz - era não, é, afinal ele ainda vive entre nós. Cara amigo de verdade, de coração tão grande quanto seu tamanhão (nem ia falar, mas hoje ele está magrinho e eu, gordinho).

Não é que certa vez quiseram tirá-lo da fanfarra por ser muito gordo e “não ficava bem tocando fuzileiro”? Acho que ele nem ficou sabendo, mas a oposição foi imediata. Uma pessoa como ele era imprescindível para nosso bem viver e companheirismo. Amigo é amigo e ponto.

Era uma época bem legal. Quando trocamos nosso ridículo uniforme composto por calças vermelhas e camisetas azuis por uma farda digna de nossa banda foi como um feriadão. Uma grande festa.

As fotos que ilustram este texto trazem o novo uniforme. O cavalheiro de bigode na foto central, a meu lado, era o instrutor dessa banda - um dentista do qual, infelizmente, não me recordo o nome.

Acabou que, em Campinas, a banda do CEPAF era tida como uma das melhores dos colégios da região.

Era muito divertido tocar várias músicas - e era, às vezes, o “bonitão” aqui que, com um apito, comandava as trocas. Até no 7 de setembro, quando o colégio desfilava seguindo a banda era legal - podíamos apenas marcar o passo para o pessoal desfilar, uma música só e contínua, mas, mesmo assim era gostoso (adivinhem se já não levei uma bronca por mudar a música em pleno desfile, fazendo a galera se perder? Desculpei-me, era empolgação de quem gostava daquilo).

É, esta banda passou e, lamentavelmente, muitas outras bandas passaram também. Aonde foi parar o campeonato da Record em São Paulo? E o daqui de Santos, ali no final da Conselheiro Nébias, com o show da Banda do Ateneu?

Triste ver, no 7 de setembro, as escolas arrastando-se, tentando marchar ao som de um vazio silencioso em vez daquela passada viva antes ritmada pela cadência das fanfarras escolares.

Triste fim.

Se você tocou em uma fanfarra, gostava ou se identificou com o texto, deixe um comentário por aqui.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cauby - um oitentão

Sequer passo perto de Nelson Motta e não tenho pretensão alguma de ser um crítico musical, mas hoje vou dar uma de.

Neste 10 de fevereiro, Cauby Peixoto - queiram ou não, um ícone da música brasileira, completa 80 anos e, por conseguinte, a TV está falando muito deste cantor, dono de uma grande voz.

Sabem o que acho realmente? O Cauby do passado tinha mesmo uma voz que me agradava ouvir, mas com o passar do tempo ela foi mudando e hoje não tem mais a mesma voz. E não é pela idade, há algum tempo noto isso.

Não sei se ele se perdeu no tempo ou no meio do sucesso, mas, para mim - e desde que o vi cantando Conceição há alguns anos - ele passou a fazer o tipo canastrão.

Fã de carteirinha nunca fui, mesmo porque prefiro ouvir só as músicas, sem a cantoria, sendo que a melhor de todas é Moonlight Serenate de Glen Miller. Este tipo de música me faz bem aos ouvidos.

Mas, vamos voltar ao aniversariante.

Ele que me desculpe, mas a melhor maneira de se ouvir - hoje - um Peixoto é trocando o nome Cauby por Araken, irmão menos famoso mas que, ao meu ver, bem melhor de ser ouvido.

Se perceberam que não curto muito a cantoria, já devem imaginar que o Araken não cantava. Exato: ele tocava piston... e como. No passado pois ele faleceu em 19 de fevereiro de 2009.

Quem o apresentou a mim foi a saudosa Dona Ofélia - sim, aquela mesmo da "Cozinha Maravilhosa". Ela era sogra de meu cunhado e algo que ela sabia fazer quase tão bem quanto cozinhar era dar-me presentes de aniversário os quais sempre vinham no formato de LPs - os antigos bolachões.

Foi em um deles que, ao desembrulhar o LP, deparei-me com um tal de Araken Peixoto. Claro que - nosso relacionamento assim o permitia - a pergunta foi imediata: Quem é esse, dona Ofélia?

Ela então esclareceu que era irmão do Cauby Peixoto e, antes que eu fizesse alguma careta ou algo parecido, arrematou: “não tem nada a ver com ele. Este toca piston”.

Ao colocar o disco na vitrola (lembram-se que antigamente existiam vitrolas?) vi que ela acertara mais uma vez.

Então é isso. No aniversário de 80 anos de Cauby Peixoto, fiquem com o Araken e um clássico - As Times Goes By:

Araken Peixoto (1930 / 2009): As Times Goes By.

Se preferir ver o vídeo no próprio YouTube, clique aqui.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

FILMES 2

UM PASSEIO PELO TERROR

NO CAIR DA NOITE daquela SEXTA-FEIRA 13, em que OS PÁSSAROS voavam de forma estranha, não bastava chamar O EXORCISTA para afastar aqueles seres AMALDIÇOADOS que assustavam a Emily e OS OUTROS.

O CHAMADO pelo exorcista era apenas um detalhe naquela que era A CASA AMALDIÇOADA em cujo quarto dormia O BEBÊ DE ROSEMARY.

Quando ouvimos O GRITO deu para sentir que A HORA DO PESADELO chegara. Parecia A PROFECIA materializando-se, o que nos deixava em PÂNICO, sentimento que aumentava com O NEVOEIRO nos envolvendo cada vez mais.

Não era só MEDO que nos atingia. Aquele DESAFIO DO ALÉM era o próprio ABISMO DO MEDO e nada estava SOB CONTROLE. OS ESPÍRITOS pareciam querer brincar com JOGOS MORTAIS conosco, pobres mortais.

O ORFANATO macabro, que abrigava A ORFÃ, deixava-nos SEM SAÍDA. A CHAVE MESTRA que abria todas as portas havia sumido e viajávamos em um NAVIO FANTASMA, sem destino, por um mar de PSICOSE alternada... era uma PARANOIA só. ISOLADOS com TERROR NA ESCURIDÃO daquela casa, parecia o FIM DOS DIAS.

De repente, tudo voava pelo quarto. Lembrava o DRÁCULA brigando com A BRUXA DE BLAIR em pleno POLTERGEIST e depois de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA ter acontecido. Sangue para todo lado, mais do que a nossa amiga CARRIE, A ESTRANHA poderia suportar.

Com certeza não FOI DEUS QUEM MANDOU aquele BRINQUEDO ASSASSINO nos atormentar, mas, enfim, O EXORCISMO DE EMILY ROSE aconteceu, tudo começou a voltar ao normal e, ainda que não fosse A CASA DOS SONHOS de ninguém, A ATIVIDADE PARANORMAL minguou e tudo ficava mais tranquilo.

Ainda não sabíamos qual ENIGMA DO MAL havia desencadeado aquele GRITO DE HORROR mas, enfim, O SINAL era claro. Não estávamos MUTILADOS e O PESADELO da HORA DOS MORTOS VIVOS chegara ao final.

A INVASÃO das VIDAS DO ALÉM, que chegou ROUBANDO VIDAS, encontrava seu final. Não mais ouvíamos as VOZES DO ALÉM.

Acabara? Ainda não, pois o DESEJO E OBSESSÃO por uma VINGANÇA DIABÓLICA por toda aquela situação vivida NA COMPANHIA DO MEDO eram intensos. Precisávamos tentar O ÚLTIMO EXORCISMO daquela ASSOMBRAÇÃO para que não mais voltasse.

Repentinamente, um susto maior e.... acordei. Caramba, fora apenas um SONHO MORTAL de uma ALMA PERDIDA e não havia A PRESENÇA DO FANTASMA. Era apenas eu, sonhando um sonho ruim.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Meu mundo acabou...

Ai ai... cada vez que o via eu me transformava em um suspiro só. O coração disparava.

De repente ele, do outro lado da rua, olhou direto para mim e chamou. Atravessou a pequena distância com passos rápidos, direto em minha direção.

Meu coração não mais palpitava... andava a galope, minha respiração parou, estava toda paralisada não acreditando no que estava acontecendo.

Será que finalmente ele me notara? Passei a existir para ele?

Para vocês entenderem, eu já curtia esse menino desde os primeiros anos escolares, quando me mudei para Santos e fui estudar na mesma escola que ele.

Eu disse curtia? Sendo sincera, eu praticamente o idolatrava, era cega por ele, com aquele corpo todo definido, barriga tanquinho e cheiroso por demais.

Era ele passar perto e eu perder a respiração.

E, de repente, do nada, aquele encontro fortuito e lá estava ele vindo para mim. A cada segundo estava mais perto e o coração já dava saltos olímpicos dentro do peito, parecia querer pular para fora.

Mas... droga! Sempre tem um mas - por que inventaram essa porcaria de mas? - ele passou reto. Como assim? Não era para mim aquela chamada?

Nem quis virar a cabeça pra ver quem era. Juntando o mico do engano que estava pagando por não haver notado alguém atrás de mim, não queria ver qual era a sirigaita que o estava arrebatando, usurpando meus direitos de mulher apaixonada.

O que ela tinha e eu não?

Sem conseguir resistir, acabei olhando pra trás a tempo de ver a cena do selinho e os dois, como pombinhos apaixonados, indo embora de mãos dadas.

O pior dessa história? O meu amor estava indo embora, levando meu coração despedaçado, dando-me um adeus com um significado de nunca mais pense em mim, trocando carinhos e gentilezas com MEU PRIMO!