sexta-feira, 1 de junho de 2012

Banco de jardim


Chuva ou Sol lá está ele
Namorados vêm,
Abraçam-se
Mendigos vêm,
Adormecem


Sempre lá, às ordens
Velhas senhoras?
Tricotam
Velhos senhores?
Às moças olham


De lá não sai
Crianças correm
Trepam, pulam
Crianças?
Brincam


Estático!
Mães chegam
Descansam
Solitários?
Observam


Todos têm um por quê
Só ele não
Não é problema
Afinal não precisa
Ele é a razão

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Contos Twitteranos [8]


Contos Twitteranos
Contos que, como no Twitter, devem conter
um máximo de 140 toques.
O mais legal é fazer com que fiquem
com exatos 140 toques.

141) O ídolo (140 toques)
Os fãs queriam vê-lo. Em respeito, saiu do carro, abraçou todos, tirou fotos etc. Enquanto isso o verdadeiro saía pelos fundos. Santo sósia.

142) Preguiça (140 toques)
No domingo recusou-se a acordar cedo. Enrolou na cama o quanto pôde. Achou que já era demais e levantou. Ninguém à vista. Haviam ido dormir.

143) Férias (140 toques)
Férias! Estava chegando o dia. Sentia-se livre para não fazer nada. Iria viajar, aproveitar e gastar os tubos. Chute na bunda. Desempregado!

144) Voto secreto (140 toques)
Foi feliz visitar o Congresso. Queria saber como votava o candidato eleito. Deu azar. Corporativismo para salvar um colega, votação secreta.

145) O dia caça (140 toques)
Foi caçar passarinhos. Pegou vários, de diversas espécies. Voltou com oito gaiolas bem cheias. Flagrado pelo IBAMA, só ele ficou engaiolado.

146) Lei de Murphy (140 toques)
Tropeçou ao levantar da cama. Bateu a cabeça na porta do armário. O chuveiro estava queimado. Saiu com raiva de casa, atrasado. Pneu furado.

147) Porta trancada (140 toques)
Chegou cansado. Deixou o carro na garagem e subiu os cinco lances de escada com as malas. Chegou à porta e... a chave ficara no porta-luvas.

147) Jogo na madrugada (140 toques)
Acordou às quatro da manhã para ver o vôlei. O jogo decisivo empatara em dois sets. Acontecia o quinto set. O placar mostrava 19X18. Dormiu.

148) Vida fácil (140 toques)
Mulher de vida fácil. Dormia pouco. Noite e dia, não havia sábado, domingo ou feriados. Não podia escolher, aguentava. Mulher de vida fácil?

149) Batizado (140 toques)
Primeiro afilhado. Acordou tarde para batizá-lo. Arrumou-se, pressionou a mulher e voaram para a igreja. Não acharam ninguém. Igreja errada.

150) Banho de piscina (140 toques)
Depois de um dia estressante e muito quente, só queria ir para casa e tomar um bom banho de piscina. Não poderia. Não tinha piscina em casa.

151) Um corpo estendido no chão (140 toques)
O sol acabara de sair e ele já em pé. Descendo para a garagem coletiva deparou com um corpo estendido no chão. Como? Quem matou a lagartixa?

152) Carrão importado (140 toques)
Acelerou o carrão importado esbanjando esnobação certo de que todos o olhavam com inveja. Parou no meio do "show", sem gasolina. Riso geral.

153) Jantar em família (140 toques)
Jantava feliz ao chegarem alguns parentes. Dividiu. Chegaram outros, famintos. Ele cansou: - Chega! Uma barata só não dá para 20 lagartixas.

154) Nervoso (140 toques)
Acordou nervoso, vomitou. Não conseguia pensar em nada. Iria fazer a prova final para tentar não repetir o ano. Não era melhor ter estudado?

155) Nascituro (140 toques)
Naquele mundinho solitário era feliz. Não havia preocupações ou barulho. Um descanso. Era só alimentar-se e dormir. Ainda não havia nascido.

156) No volante (140 toques)
Rei do volante. Pegas? Vencia todos. Era abusado. Um dia, após dirigir por 12 horas, escutou a bronca: - Menino, desliga já esse vídeo-game!

157) O velório (140 toques)
Assistia ao próprio velório. Espírito persistente, não queria partir. Ouvia os choros, mas não ouvia o que queria: - Olhem! Está se mexendo!

158) Jogo perdido (140 toques)
Fugiu cedo do trabalho para ver o jogo. Pneu furado, trocou. Foi parado no comando. Atrasado, saiu apressado. Bateu o carro - perdeu o jogo.

159) Vil dinheirinho (140 toques)
Avaro, guardava todo dinheiro ganho. Só gastava sob muita pressão. Até que se tocou: de que adiantaria ser o defunto mais rico do cemitério?

160) Decisões (140 toques)
"Sei lá" era tudo o que dizia. Não se envolvia com nada. Deixava o tempo resolver. Não se formou não se casou. Não tinha opinião. Não viveu!

terça-feira, 8 de maio de 2012

O crime compensa?

PARE

Quando a namorada o convidou para assistirem a O Assalto ao Banco Central, Dennys foi sem qualquer pretensão. Era somente mais um filme.

Todavia, aquele filme mexeu com o jovem, alimentando sua sagacidade. Não era, de forma alguma, mais um filme, era uma grande ideia e poderia ser posta em prática.

Dennys voltou outras vezes ao cinema e assistiu tanto àquele filme que sabia as falas de cor e salteado.

Todos os detalhes foram absorvidos por completo. Concomitantemente, lançou mão de jornais da época, relatos na internet, devorou o máximo possível de informações sobre o grande assalto.

Poderia ser uma ideia descabida para um rapaz simples, do povo, que jamais sequer furtara uma flor de um jardim. Mas, aquele assalto realmente mexeu-lhe com os brios e virou ideia fixa: tinha de repetir a façanha daqueles homens destemidos e tinha de se dar bem.

Pensou exageradamente em cada detalhe. Escolheu o alvo com atenção e muito cuidado.

Não queria sair bilionário. Milionário já estava de bom tamanho.

Selecionou a dedo a equipe, do menor tamanho possível. Alugou uma casa próxima àquela agência bancária que, mensalmente, pagava os trabalhadores das fábricas ao redor e sempre tinha muito, mas muito mesmo, dinheiro em caixa.

Precavido fizera as contas por baixo: cerca de dez mil trabalhadores com uma média de cinco mil reais cada um, seria algo em torno de cinquenta milhões de reais.

Sim, era o suficiente.

Analisou os prós e os contras, estudou em detalhes cada erro cometido pelo bando do assalto original e, depois de uns três anos de intensos trabalhos considerou-se pronto para pôr o plano em prática. Finalmente a teoria iria sair do papel.

Fez tudo certo, sem pressa. Absolutamente tudo dentro dos planos.

Escavar o túnel levou o tempo esperado, a desembocadura exatamente no local planejado e todo o dinheiro lá, esperando por eles.

Haviam gasto três meses para chegar no destino e estavam cansados porém, com aquela “visão monetária” à disposição, o cansaço foi embora

Pegaram as grandes sacolas e guardaram todo o dinheiro que estava no cofre - só deixaram as moedas, pois eram peso demais e pouco valor.

Voltaram pelo túnel e o desmancharam desde o final, junto ao cofre, até alguns metros depois do desvio feito para ludibriar quem por ali passasse, afastando-o da entrada naquele pequeno quarto da casa alugada.

Na casa, todo o dinheiro ficou armazenado em paredes falsas, onde ficaria por, no mínimo, três anos. Precisavam deixar tudo esfriar, a mídia esquecer o caso para, então, buscar a dinheirama.

Desta última parte do plano, somente Dennys e seu fiel escudeiro, Pedro Henrique, conheciam. Todo o resto do bando já havia dispersado.

Foram os três anos mais longos da vida de todos. Até que chegara a hora derradeira.

Dennys e Pedro Henrique rumaram para a casa que continuava ali e fora habitada normalmente por uma família que jamais desconfiara do que havia dentro daquelas paredes. O contrato do subaluguel expirara e, como combinado, o imóvel havia sido entregue.

Na calada da noite, sem despertar suspeita, estacionaram a Kombi em frente, abriram as paredes e foram depositando as sacolas, uma a uma, no centro da sala.

Tudo pronto, Pedro foi abrir a Kombi e, ao sair, surpresa!

A perua? Onde está a Kombi?

Pois é, havia sido roubada. Denys indignou-se: não havia mais gente honesta neste mundo? Como poderiam ter furtado uma Kombi velha que não chamaria a atenção de ninguém?

Perdeu a paciência e sabia que tinham de sair logo dali. Então, o sentimento dominou a razão e ele tomou a primeira decisão não previamente calculada.

Estancou-se no meio da rua com a arma em punho. Parou, no grito, um carro que vinha descendo a rua, fez descer o casal. Mas o carro, um Fiat Palio era pequeno demais para todo o volume a ser carregado.

Pedro Henrique, que estava com Dennys, viu um outro par de faróis subindo a rua e não pensou duas vezes, afinal não podiam perder a oportunidade já que não sabiam quando passaria um outro carro por aquela rua deserta.

Parou estático no meio da rua, tal qual fizera Dennys, e, quando foi dar a ordem para o carro parar, engoliu em seco.

Por que tinha de ser logo uma viatura da ROTA?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Contos Twitteranos [7]

Contos TwitteranosContos que, como no Twitter, devem conter
um máximo de 140 toques.
O mais legal é fazer com que fiquem
com exatos 140 toques.
121) O quebra-cabeça (140 toques) Em vão tentava montar o quebra-cabeça do tigre. Recorreu à melhor amiga que, ao chegar, disse-lhe: Antes vamos guardar os sucrilhos da mesa.
122) Futebol (140 toques) Pausa do almoço. Mesmo de terno e gravata quis jogar futebol. Uma, duas, três partidas. Parou após a quarta. Como vicia esse tal de pebolim.
123) Carnegie Hall (140 toques) Foi para Nova York dizendo que tocaria no Carnegie Hall. Na volta, confirmou alegre: sim, havia tocado lá. Só não falou que foi a campainha.
124) O campeonato (140 toques) Há 20 anos não era campeão. Bastaria um gol. Mini-fone escondido na orelha em pleno casório. Gol aos 48. Não podia ter gritado, era o noivo.
125) A sogra (140 toques) Malandro, casou-se com a filha de olho na mãe. A sogra enviuvou. Ele viu a grande chance e a convidou para morarem juntos. Viva a poliginia!
126) As pipas (140 toques) No alto, a briga era feia. Vários puxões e elas se enfrentavam bravamente. Só uma venceria e o troféu seria de quem pegasse. Ganhou o cerol.
127) Pequenos Contos (140 toques) E do nada ele se alegrou. Viu alguns frutos brotando da árvore da literatura. Uma novata que experimentou, gostou e, de escrever, não parou.
128) Bronca certa (140 toques) Chegou tarde, pisando manso. Ela desculpou a hora, a bebedeira, não brigou e o abraçou compreensiva. Mas, ao abraçar, viu a mancha de batom.
129) A loiraça (140 toques) A loira aproximou-se. Aquele corpo escultural abraçou-o, cheirou seu pescoço e lhe deu um beijo de perder o fôlego. Só podia ser sonho. Era!
130) O gago (140 toques) Era gago. Nervoso não conseguia falar nada. Aí chega um tremendo guarda-roupa de três metros de altura e pergunta: - Qu-que ho-horas sã-são?
131) O pesadelo (140 toques) Pesadelo! Ele acordou de madrugada suando frio. Havia sonhado que tivera um filho, ali, sozinho na cama. Era a prisão de ventre que acabara.
132) Sapatos novos (140 toques) A balada prometia. Foi estreando os sapatos novos. A turma dançava e ele ali, quieto sentado à mesa. Chamavam-no sem sucesso. Maldita bolha.
133) Surpresa na prova (140 toques) Gastou o final de semana todo estudando matemática. Acordou na segunda-feira sentindo-se preparado para a prova. Surpresa! Era de português.
134) Caiu, chorou, parou, levantou, brincou (140 toques) Caiu, chorou, parou, levantou, brincou. Caiu, chorou, parou, levantou, brincou. Caiu, chorou, parou, levantou, brincou. Caiu, chor... CHEGA!
135) Ficou com fome (140 toques) Meio da tarde e ainda sem almoço. Com fome, desceu as escadas e comprou uma marmitex. Na volta, no último lance, escorregou e a comida voou.
136) A separação [1] (140 toques) Depois de anos, às vésperas do casamento, a briga foi tão feia que terminaram. Não se casariam mais. Separação. Os dois queriam ser a noiva.
137) A separação [2] (140 toques) Depois de anos, às vésperas do casamento, a briga foi tão feia que terminaram. Não se casariam mais. Separação. As duas queriam ser o noivo.
140) Só tem macho (140 toques) -Na minha cidade só tem macho! O pequeno pergunta: -Só macho? - É sim, responde o machão. -Na minha não, lá tem mulher também e é muito bom.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Passos do além

Passos do além

Felipe, surdo de nascença, aprendera desde cedo a falar por meio de sinais e comunicava-se sem problemas com seus familiares e com alguma dificuldade com os amigos, pela simples falta de prática já que nem sempre estava com eles.

Levava a vida sem problemas, mas tinha um grande empecilho - sendo surdo, não aprendera a falar, algo pelo qual ansiava.

Era de uma família sem recursos, mas certo dia o tão desejado aparelho chegou às mãos de Felipe por um padrinho, como presente de aniversário.

Começou então uma grande via crúcis com idas a médicos, fonoaudiólogos, grupos de tratamento para aprendizado em conjunto, tudo para aprender a ouvir com o aparelhinho instalado dentro do ouvido e, por conseguinte, começar a falar de uma maneira que todos o entendessem.

Que maravilha.

Felipe também gostava de livros e filmes de terror. Gostava de sentir, em segurança, aquela sensação de medo, preocupação, temor. Curtia especialmente quando tratavam do além.

Sabia que estava em segurança e aquilo era só filme. À noite dormia tranquilo; às vezes lembrava-se de alguma cena mais forte, mas nada que lhe tirasse o sono.

Assim transcorria até certa noite que, cansado, deitara-se com o aparelho de surdez. Noite adentro acordou com um barulho de passos dentro de seu quarto.

Abriu os olhos pensando em ver o pai ou a mãe, mas... nada!

Aquele silêncio que imperava somente era quebrado pelo som dos passos a esmo pelo quarto, mesmo não havendo mais ninguém por ali, eram ouvidos.

Bastou para Felipe. Agora era medo de verdade, de algo que não entendia. Quem poderia estar andando por ali? De onde teria vindo? Quais as intenções? Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas e nenhuma pergunta respondida.

Tirou o aparelho. Silêncio. Os passos pararam.

Felipe entendia que não haviam parado. Era porque sem o aparelho não podia escutá-los. Virou-se para o canto, cerrou os olhos, rezou todas as orações que conhecia e acabou dormindo.

O dia transcorreu normal, sem sobressaltos, afinal, com todos os barulhos sendo ouvidos de uma vez só, sequer identificava se os tais passos o acompanhavam ou não.

À noite, hora de ir para a cama, o pobre coitado começou a preocupar-se. Havia recusado o convite de um amigo para irem assistir à Atividade Paranormal 2 no cinema, algo que normalmente iria, mas com os acontecimentos da noite passada, nem pensar.

Deitou-se e começou a imaginar se os passos continuariam ou não. Será que quem esteve ali teria voltado para assombrá-lo mais uma vez? Afinal, o que poderia querer com ele?

Dormiu. Acordou no meio da madrugada, perscrutou o quarto todo e não viu nada. Corajosamente, colocou o aparelho no ouvido e ficou estático, aguardando.

Não demorou nada e... plac plac plac... os passos voltaram.

O menino pensou em chorar. Se ouvir era isso, não queria mais saber, preferia permanecer surdo a sentir essa sensação de pânico perante o desconhecido.

Estava aprendendo a ouvir, já distinguia alguns sons, mas passos em mais uma madrugada era demais.

Felipe quase corre para o quarto dos pais. O que seria isso? Brincara demais com o mundo espiritual e agora havia alguém invertendo a brincadeira?

Lembrou-se do filme Sexto Sentido. Seria alguém precisando de ajuda? Mas ele não via nada, só ouvia os passos.

Depois de uma semana nesse sofrimento, indo à igreja como nunca, rezando como um beato, Felipe resolveu que era hora de buscar ajuda materna. Não suportava mais.

Dia seguinte contou à mãe. Ela o levou a um centro espírita de mesa branca para tentarem decifrar o ocorrido.

Na conversa não chegaram a acordo algum. Poderia ser isso ou aquilo, mas nada de uma conclusão a respeito.

Voltaram para casa. Felipe, cabisbaixo, pensava em mais uma noite na companhia de sabe-se lá quem.

Quase se esqueceram da consulta no otorrino para medirem a audição e uma verificação no aparelho.

Chegaram em cima da hora, já sendo chamados para a consulta.

O médico examinou daqui e dali e achou por bem mandar fazer uma verificação técnica no aparelho, o qual apresentava uns estalidos que não eram normais.

Felipe quase caiu da cadeira. Passos? Que nada.

- Maldito aparelhinho com defeito!

domingo, 25 de março de 2012

Contos Twitteranos [6]

Contos Twitteranos
Contos que, como no Twitter, devem conter
um máximo de 140 toques.
O mais legal é fazer com que fiquem
com exatos 140 toques.
101) A esmola (140 toques) Achava que ajudava. Não negava esmola, pois, eram necessitados. Acreditou nisso até que viu um mendigo dirigindo um carro melhor que o dele.
102) O príncipe encantado (140 toques) Acostumado à vida no brejo, não queria ser príncipe. Maldito beijo desencantador. E a comida então? Algo nojento. Queria as moscas de volta.
103) Bela Feia (140 toques) Era linda. Arrogante, esnobava todo mundo e não estava nem aí. Afinal, a beleza bastava. Um dia queimou o rosto. Ficou feia e virou "gente".
104) Micção (140 toques) Muitas cervejas e a bexiga estourando. Foi ao banheiro e o zíper encrencou. Não agüentava mais. No desespero, rasgou a calça. Não deu tempo.
105) Davi e Golias (140 toques) O pequeno Yorkshire não se intimidou com o grande Rottweiler. Partiu para a briga sem medo. Venceu ao matar o grande cachorrão... engasgado.
106) Almoço de domingo (140 toques) Almoço na casa da sogra. De barriga cheia dormiu no sofá. Roncava alto. Só foi acordado quando enfiou a mão na bermuda para uma bela coçada.
107) Sofrendo com o peso (140 toques) Pensativo, olhava a criação da avó. Era gordo queria perder 10 kg até o Natal. Sofreu até ver o peru correndo. Sim, havia problemas maiores.
108) Bullying (140 toques) Era gordão e narigudo. Tinha tudo para sofrer com os bullyings na escola. Ao contrário, inteligente, dava cola e fazia os espertos sofrerem.
109) O mito mictou (140 toques) Jovem talento, um mito. Certa noite subiu às pressas ao palco, sem ir ao banheiro. No show não aguentou. O mito mictou nas calças. Que mico.


110) A irmã (140 toques) Extasiado, via o corpo esguio. Só pensava "naquilo", mas resistia. É minha irmã, cobrava-se. Mas tinha de se desafogar. Pegou outra Playboy.
111) Problemas (140 toques) Saiu em busca de um objetivo. Candidatou-se, pois tinha uma grande meta: resolver todos os problemas do mundo. Ganhou um mundo de problemas.
112) Cruzamento (140 toques) A égua puro-sangue no cio. O garanhão querendo. Tudo daria certo e ele já imaginava o belo potro correndo. Pena que o jumento pulou a cerca.
113) Dono da bola (140 toques) No futebol, um zero à esquerda. Não jogava nada, mas sempre era chamado e escolhido. Todos o queriam. Como era bom ser o dono da única bola.
114) A loteria (140 toques) Conferiu os números. Sorte grande! Com tanto dinheiro pensou que os problemas haviam terminado. Tremendo engano, estavam é apenas começando.
115) Torcedor sofredor (140 toques) No futebol, com técnico retranqueiro, o time dele não ganhava. Para não sofrer, tirou férias. Foi ver o vôlei. Azar, optou pelo time errado.
116) Missa das 9 (140 toques) Todo domingo, às 9h, estava na missa, assíduo. Caso perdesse a das 9, não ia em outra. Mania de carola? Não, era nessa que a bela Camila ia.
117) O mergulho (140 toques) Olhava atônita aquele mar fervilhando, cheio de cores. Sem medo, mergulhou fundo. Logo alguém gritou: - Garçom, tem uma mosca na minha sopa!
118) O mico (140 toques) Pela rua, todos o olhavam. Não entendia o por quê. Era o alvo das atenções. Só entendeu quando chegou em casa e reparou na braguilha aberta.
119) Galo chato (140 toques) Quatro da manhã e o galo cantava na janela. Com sono, virou-se de lado e cobriu a cabeça com o travesseiro. E o galo cantava. Voou a botina.
120) A entrega (140 toques) À presença da estonteante jovem, não resistiu. Entregou-se em completa luxúria. Literalmente, perdeu a cabeça. Por que nascera louva-a-deus?

terça-feira, 6 de março de 2012

Ascensão e queda de uma faxineira

Iriscléia
Nordestina cabra da peste, com ela não tinha tempo ruim. Iriscléia era pau pra toda obra e não tinha medo do pesado.
Chegou a São Paulo com uma penca de filhos a tiracolo e foi logo se encantando com aquela cidade mais que grande, como ela própria dizia.
Eram muitos prédios “altos demais da conta” e aquela novidade toda enchia seus olhos acostumados somente com a vegetação seca da caatinga e uns barracos aqui e ali, todos remetendo ao barroco e ao gótico (sim, porque eram de barro e, quando chovia, tinham goteiras).
Mas, a valente Iris havia chegado na capital dos sonhos para vencer e sustentar com bravura os filhos. O marido? Aquele malandro havia fugido, debandado lá para os lados do Acre com uma rapariga 20 anos mais jovem que ele.
Iris não perdeu tempo, aprendeu logo o ofício de faxineira, para o que não precisava saber ler e escrever, e lá foi ela competirndo consigo mesmo, buscar o melhor, para ser a melhor faxineira daquela cidade enorme.
Fez que fez. Esperta, aprimorou-se, reciclou-se (embora não soubesse o que isso significava) e passou a ter várias clientes.
A ascensão foi rápida e logo ela já trabalhava sem parar, conseguindo não só tirar o sustento para os filhos como também mantê-los estudando para que não fossem analfabetos como ela.
Nunca fora tão feliz na vida.
No trabalho não dava moleza sequer às menores partículas de poeira, estivessem onde estivessem, nenhuma conseguia esconder-se das flanelas, espanador ou daquela máquina incrível que conhecera recentemente - e da qual não tinha mais medo - o aspirador de pó.
Não importava o andar em que o apartamento a ser limpo fosse localizado. Pendurava-se nas janelas para deixar os vidros invisíveis de tão limpos, por dentro e por fora.
As patroas, quando viam a cena, arrepiavam-se e pediam a ela que saísse dali, pois era muito perigoso.
- Não se preocupe dona, eu sei bem o que estou fazendo e não há perigo, não. Dizia e continuava pendurando-se dada vez mais, com o corpo quase que totalmente para fora.
Aquilo era necessário. Tinha de ser a melhor, deixar tudo 100% limpo para garantir os trabalhos e cuidar dos filhos, o maior tesouro de Iriscléia.
Mas, foi em uma oportunidade dessas que Iris vacilou.
Estava tentando limpar o vidro daquele janelão enorme do 15º andar e não estava conseguindo.
Lançou mão da escada, posicionou-a junto à janela aberta, subiu, pôs o corpo para fora e passou a limpar o vidro. Teve de raspar para tirar aquela sujeira grudada e... aconteceu.
A patroa havia visto Iris pegar a escada e perguntou para que era.
- Vou alcançar a parte de cima do vidro da janela da sala. Não está dando para limpar.
- Iris, não seja louca. Não ponha a escada perto da janela.
- Ora, dona Juliana, eu sei bem o que estou fazendo.
Tocou o interfone e a patroa foi atender, desviando a atenção do assunto. Iris aproveitou-se, saiu de mansinho e subiu na escada.
De repente, um barulhão de algo caindo, um grito.
O filho mais novo de dona Juliana, que brincava na sala, entra chorando na cozinha e, aos prantos, fala para a mãe que a Iris havia caído da escada, da janela.
Décimo quinto andar, não tinha como alguém se salvar de uma queda dessas.
Juliana entrou temerosa na sala, sem saber se teria coragem de olhar pela janela e ver, lá embaixo, o corpo estatelado de Iris.
A queda, algo que sempre a preocupava já que a faxineira era mesmo atrevida, acontecera. Logo naquele dia em que acordara com um péssimo pressentimento.
Não tinha jeito, entrou na sala, viu a escada caída e, ao lado dela, Iriscléia reclamando de uma dor no braço.
Sim, Iriscléia, por sorte, caíra para o lado de dentro e não para fora do prédio.