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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Paz!

PazBom de briga é aquele que cai fora”.

Grandes e sábias palavras do compositor de Trem das Onze (um trem do Jaçanã que nunca saiu às 11 horas e sim por volta das 08h40min).

Adoniran Barbosa soltou essa frase já faz muito tempo, mas continua bastante atual - talvez até mais que antes.

O que vemos hoje em dia é de tamanha violência que realmente o melhor é deixar para lá, não importando o tamanho do oponente.

É muito fácil, principalmente nesse nosso trânsito louco, para qualquer um puxar uma arma, pelos motivos mais banais, e dar alguns tiros, com balas perdidas acertando até quem não tem nada a ver com o ocorrido.

Então, ser “macho” para quê? Já não bastam  todos esses assaltos acontecendo? Saidinhas de banco, sequestros relâmpago e tudo o mais?

Temos uma vida enorme pela frente e, antes de nos preocuparmos se vamos ser rotulados de covardes ou afins, vamos usar a cabeça, lembrando sempre que o raciocínio inteligente sobrepuja a violência ignorante.

Seja no trânsito, em um passeio, em um jogo... não importa, partir para a violência sempre acaba estragando a festa, interrompendo, no mínimo, a alegria e trazendo transtornos com alguns possíveis danos irrecuperáveis.

Temos de fazer valer a chamada cabeça fria em qualquer situação, crendo que se alguém está muito nervoso é porque talvez não esteja tendo um bom dia e, se nos enervarmos também, estaremos apenas alimentando um sentimento de ódio.

Assim, já que palavras acabam morrendo ao vento, vamos preferir que o “nervosinho” se extravase um pouco, ajudando a diminuir sua ira, a comprar uma briga.

Viver em paz, principalmente consigo mesmo, é bem melhor. Melhor até do que estar certo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O crime compensa?

PARE

Quando a namorada o convidou para assistirem a O Assalto ao Banco Central, Dennys foi sem qualquer pretensão. Era somente mais um filme.

Todavia, aquele filme mexeu com o jovem, alimentando sua sagacidade. Não era, de forma alguma, mais um filme, era uma grande ideia e poderia ser posta em prática.

Dennys voltou outras vezes ao cinema e assistiu tanto àquele filme que sabia as falas de cor e salteado.

Todos os detalhes foram absorvidos por completo. Concomitantemente, lançou mão de jornais da época, relatos na internet, devorou o máximo possível de informações sobre o grande assalto.

Poderia ser uma ideia descabida para um rapaz simples, do povo, que jamais sequer furtara uma flor de um jardim. Mas, aquele assalto realmente mexeu-lhe com os brios e virou ideia fixa: tinha de repetir a façanha daqueles homens destemidos e tinha de se dar bem.

Pensou exageradamente em cada detalhe. Escolheu o alvo com atenção e muito cuidado.

Não queria sair bilionário. Milionário já estava de bom tamanho.

Selecionou a dedo a equipe, do menor tamanho possível. Alugou uma casa próxima àquela agência bancária que, mensalmente, pagava os trabalhadores das fábricas ao redor e sempre tinha muito, mas muito mesmo, dinheiro em caixa.

Precavido fizera as contas por baixo: cerca de dez mil trabalhadores com uma média de cinco mil reais cada um, seria algo em torno de cinquenta milhões de reais.

Sim, era o suficiente.

Analisou os prós e os contras, estudou em detalhes cada erro cometido pelo bando do assalto original e, depois de uns três anos de intensos trabalhos considerou-se pronto para pôr o plano em prática. Finalmente a teoria iria sair do papel.

Fez tudo certo, sem pressa. Absolutamente tudo dentro dos planos.

Escavar o túnel levou o tempo esperado, a desembocadura exatamente no local planejado e todo o dinheiro lá, esperando por eles.

Haviam gasto três meses para chegar no destino e estavam cansados porém, com aquela “visão monetária” à disposição, o cansaço foi embora

Pegaram as grandes sacolas e guardaram todo o dinheiro que estava no cofre - só deixaram as moedas, pois eram peso demais e pouco valor.

Voltaram pelo túnel e o desmancharam desde o final, junto ao cofre, até alguns metros depois do desvio feito para ludibriar quem por ali passasse, afastando-o da entrada naquele pequeno quarto da casa alugada.

Na casa, todo o dinheiro ficou armazenado em paredes falsas, onde ficaria por, no mínimo, três anos. Precisavam deixar tudo esfriar, a mídia esquecer o caso para, então, buscar a dinheirama.

Desta última parte do plano, somente Dennys e seu fiel escudeiro, Pedro Henrique, conheciam. Todo o resto do bando já havia dispersado.

Foram os três anos mais longos da vida de todos. Até que chegara a hora derradeira.

Dennys e Pedro Henrique rumaram para a casa que continuava ali e fora habitada normalmente por uma família que jamais desconfiara do que havia dentro daquelas paredes. O contrato do subaluguel expirara e, como combinado, o imóvel havia sido entregue.

Na calada da noite, sem despertar suspeita, estacionaram a Kombi em frente, abriram as paredes e foram depositando as sacolas, uma a uma, no centro da sala.

Tudo pronto, Pedro foi abrir a Kombi e, ao sair, surpresa!

A perua? Onde está a Kombi?

Pois é, havia sido roubada. Denys indignou-se: não havia mais gente honesta neste mundo? Como poderiam ter furtado uma Kombi velha que não chamaria a atenção de ninguém?

Perdeu a paciência e sabia que tinham de sair logo dali. Então, o sentimento dominou a razão e ele tomou a primeira decisão não previamente calculada.

Estancou-se no meio da rua com a arma em punho. Parou, no grito, um carro que vinha descendo a rua, fez descer o casal. Mas o carro, um Fiat Palio era pequeno demais para todo o volume a ser carregado.

Pedro Henrique, que estava com Dennys, viu um outro par de faróis subindo a rua e não pensou duas vezes, afinal não podiam perder a oportunidade já que não sabiam quando passaria um outro carro por aquela rua deserta.

Parou estático no meio da rua, tal qual fizera Dennys, e, quando foi dar a ordem para o carro parar, engoliu em seco.

Por que tinha de ser logo uma viatura da ROTA?