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domingo, 19 de outubro de 2014

Viva a amizade

Viva a AmizadeAo descer a escadaria de sua casa, Amanda parou estática no patamar, olhou para a mãe e algumas lágrimas escorreram pelos lindos olhinhos azuis.

Mas, qual a razão disso? Por que teria Amanda chorado ao ver a mãe?

Voltemos um pouco no tempo...

Amanda era uma menina como outra qualquer. Bem... quase.

Na altura de seus 14 anos, tinha um grande futuro pela frente, mas antes de todo o futuro, haveria a festa dos 15 anos, a qual estava programada para acontecer junto com as das amigas Rita, Marisa e Léa. Elas formavam um quarteto inseparável.

Todas fariam 15 anos em uma distância muito curta de tempo e comemorariam com uma grande e única festa.

A diferença entre o nascimento delas não chegava a três semanas.

Conheceram-se no primeiro dia de aula, ainda na pré-escola, e nunca mais se largaram.

Faziam tudo juntas e a cada encontro era uma conversa sem fim.

Embora sempre uma ao lado das outras, os assuntos eram intermináveis e brotavam do nada. Quem as visse, sem as conhecer, cria que há muito não se viam e tinham muita conversa para pôr em dia.

Mesmo quando estavam longe, estavam conectadas.

Valia de tudo; desde o velho Skype, passando pelo SMS, pelo Instagram, pelo Facebook, até o Whatsapp e o que mais aparecesse. A ferramenta não importava, desde que se comunicassem.

A vida naquela cidadezinha do interior paulista, às margens do Rio Paraíba, era tranquila, cujo sossego somente era quebrado por algum apronto do quarteto junto com outros amigos.

Elas dominavam os adolescentes da cidade, chamados por eles próprios de a Gangue do Bem.

Claro, como jovens, sempre aprontavam das suas, mas em compensação, sempre estavam atentos para atender às necessidades de alguém.

Precisou? Logo aparecia um para ajudar.

Todavia, Amanda começou a perder peso, sentia-se mal com dores de cabeça além de uma estranha sensação de fraqueza.

Os pais a levaram para uma consulta ao médico que, ao olhar Amanda e uma rápida análise, sugeriu alguns exames específicos.

- Nada preocupante. Vamos fazer estes exames e verificar se minhas suspeitas têm fundamento. É muito no início e tudo fica mais fácil. Disse o doutor.

Como não se preocupar com um possível diagnóstico de leucemia?

Os pais, tentando parecer fortes perante a filha, estavam arrasados.

Os exames foram feitos e o doutor, algo que só acontece nas cidadezinhas do interior, foi à casa dos pais de Amanda com os resultados.

Dona Celeste chamou a filha, que estava no quarto, no andar de cima.

Bem, voltemos ao início...

Ao descer a escadaria de sua casa, Amanda parou estática no patamar, olhou para a mãe e algumas lágrimas escorreram pelos lindos olhinhos azuis.

Ao ver o médico e a expressão da mãe, teve a certeza de que, para tristeza de todos, os resultados comprovavam as suspeitas do médico. Leucemia!

Enxugou os olhos e desceu as escadas.

Não acreditava no que lia. Tinha apenas 14 anos e nada daquilo era justo.

Com a família reunida na sala, o médico explicou tudo o que podia sobre a doença, a importância de estar no começo e respondeu todas as perguntas feitas.

Indicou um Oncologista amigo dele que poderia cuidar da Amanda da melhor forma possível.

E assim começava uma nova etapa na vida daquela jovem. Iniciava-se ali uma caminha de trajetória difícil e não sabida.

Amanda reuniu todas as suas forças e disse em voz clara e firme:

- Vamos em frente. Vamos vencer esta droga de doença.

Os dias foram passando e por causa de um dos tratamentos aos quais ela se submetia, a quimioterapia, os cabelos foram caindo.

Ela ficou horrorizada com isso.

Como não havia jeito, a mãe a levou para São José dos Campos onde havia um especialista em perucas para pessoas com câncer.

Por algumas fotos enviadas previamente, foi confeccionada uma peruca bem parecida com o cabelo de Amanda.

Ao chegar, elas aprovaram a peruca, o pessoal da loja cortou os cabelos de Amanda, utilizando uma máquina número 3 e foram-lhes passadas todas as dicas de como usar, tratar e lavar os novos cabelos.

Ficara bem demais e Amanda voltou às ruas sem qualquer vergonha, algo que estava sentindo há algumas semanas. Ainda bem que eram férias escolares e não precisava ficar tão exposta, pensava ela.

As amigas acharam linda a peruca e até se divertiram bastante com Amanda, mas de forma alguma ela a tirava da cabeça, nem para as amigas, o que era respeitado.

A calvície forçada mexera muito com a cabeça da menina.

Chegara o grande dia. O dia mais esperado do ano, mas que correu um sério risco de não acontecer.

As amigas convenceram Amanda de que a vida continuava e tinha de ser bela como antes, e não haveria um porquê de não ser.

Com muita conversa, todas concordaram que nada, absolutamente nada, poderia estragar a festa delas - ou todas participariam ou não haveria festa.

Na hora combinada para irem ao salão do clube, as três amigas foram à casa de Amanda para buscá-la.

Dona Celeste chamou a filha, que estava acabando de se arrumar no quarto. Finalizou o acerto da peruca, prendendo-a bem para não correr o risco de cair ou mesmo sair do lugar e foi ao encontro da mãe.

Ao descer a escadaria de sua casa, Amanda parou estática no patamar, olhou para a mãe e, desta vez, muitas lágrimas escorreram pelos lindos olhinhos azuis.

A mãe, assim como o pai, também estava chorando.

As três amigas e todos os 15 casais formados pelos amigos mais chegados delas, estavam ali, aos pés da escada, esperando por Amanda.

Todos, homens e mulheres, de cabeça raspada.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dois séculos e meio

Zé AntonioNo dia 13 de junho de 2013, o José Antonio, um dos mais ilustres cidadãos santistas, teria completado 250 anos de idade - claro, se vivo estivesse.

Isso foi mês passado e eu, não santista de nascimento como ele, mas que me mudei para esta cidade há mais de 40 anos e a adotei como minha, afinal foi ela que me deu aquilo que eu tenho de mais precioso: as mulheres que compõem minha família - todas santistas, conterrâneas do Zé Antonio (intimidade pode?).

O fato é que não vi quase nada de comemorações por aqui. Até eu, que sou ligado às coisas da história da cidade, deixei passar em branco, sem uma homenagenzinha sequer, o que faço agora para corrigir.

O Zé Antonio nasceu em Santos em 1763. Foi um grande estudioso e, não à toa, tornou-se filósofo, advogado, professor, intelectual, cientista e político. Ele até combateu Napoleão em Portugal, se bem que não foi um combate tão combate assim, pois quando as tropas do Napa (olha a intimidade, de novo) chegaram a Portugal, eram apenas uns pobres coitados, esfomeados que se Dom João soubesse, jamais teria fugido com a Corte toda para o Brasil naquele 29 de novembro de 1807. Que vergonha Joãozinho... (epa, olha a intimidade com o Rei).

Essa fuga do Rei, abandonando o povo português à própria sorte, foi boa para o Brasil. Já pensou, você acorda de manhã e não tem ninguém no comando do país?

Mas, essa é outra história. Então, vamos voltar ao Zezinho (mais que íntimo).

Esse santista foi atuante também no campo da química, geologia e mineralogia, ganhando respeito internacional a tal ponto que James Dwight Dana, geólogo de fama mundial, premiado internacionalmente e autor de livros e manuais sobre geologia, batizou uma recém-descoberta rocha do grupo das granadas com o nome do brasileiro e, por isso, no mundo da geologia existe, hoje, a Andradita.

Ele também participou ativamente dos esforços para a independência do Brasil.

Em alguma aula de história você deve ter ouvido a célebre frase "como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico", dita por Dom Pedro no dia 9 de janeiro de 1822, o Dia do Fico. Então, o nosso Zé Antonio foi um dos primeiros, se não o primeiro, a mandar uma carta ao Pedrinho (oops, de novo) exigindo que ele ficasse, que não voltasse a Portugal.

Em julho de 1822, quando o “bicho pegou pra valer” e Portugal estava preparando tropas para virem ao Brasil e impor as exigências do Rei, tirando a autoridade de Dom Pedro, lá estava o Zé Antonio em sua incansável batalha pela independência do Brasil.

Rapidinho ele buscou apoio internacional, mandando delegados a Londres, Paris e também para a capital de um certo país que declarara sua independência há 46 anos: Washington.

Para reforçar o apoio, também fortaleceu as alianças com governos sul-americanos, especialmente com a Argentina.

Até reviravoltas na vida dele houve. Durante uma crise política, Dom Pedro 1º dissolveu a Constituinte e mandou o Zé Antonio com os irmãos para fora do Brasil. Ele ficou exilado no sul da França até 1829 quando pode voltar ao Brasil - embora o Imperador já houvesse declarado sua inocência há algum tempo. De herói a vilão?

Só em julho de 1829 José Bonifácio regressou ao País. Dom Pedro, forçado a abdicar no dia 7 de abril de 1831, voltava para Portugal. Advinha quem ele deixou como tutor dos filhos? Claro, um santista porreta: o Zé Antonio. Haja moral.

Pois é, o cara não era fraco não. O Brasil inteiro o conhece, está em todos os livros de história do Brasil, pois foi um dos personagens que a escreveu e aqui em Santos há gente que nunca fez uma visita ao túmulo dele. Que isso galera?

E aí? Você sabe quem é esse tal de José Antonio?

Talvez pelo nome de batismo dele seja meio complicado, você pode estar em dúvida, mas, esclarecendo para dirimir quaisquer dúvidas:

O José era filho dos primos Bonifácio José Ribeiro de Andrada e Maria Bárbara da Silva e, ao longo de sua vida, adotou o nome do pai e passou a ser José Bonifácio de Andrada e Silva.

Esclarecido? Então, se ainda não foi, faça uma visita ao Pantheon dos Andradas, na Praça Barão do Rio Branco, ali no centro de Santos. É fácil de achar - é o prédio da foto que ilustra este texto.

sábado, 20 de março de 2010

O aniversário de Juvenal


Os amigos reuniam-se todas as noites para jogar cartas.

Naquela noite, não foi diferente e, na hora de se despedirem, combinaram que a noitada seguinte seria em um lugar especial, com muita bebida, comida e tudo de bom, mas, por motivos óbvios, sem mulheres.

Iam comemorar o aniversário de um deles, o Juvenal.

Chegando em casa, Juvenal encontrou a noiva à sua espera.

Ela, toda fogosa, foi logo se entregando a Juvenal, um cara bondoso que não sabia falar não a ninguém. Bom samaritano e altruísta, sempre cedia aos desejos de todos. Como não sucumbir aos desejos daquela namorada ardente e gostosona que se abria toda para ele? Que se entregava como um presente superespecial?

Era algo que fazia o desejo dentro dele explodir ardentemente. Um querer de há muito. Poderia bem dar um dane-se àquele ser altruísta e bom samaritano, afinal a carne falava mais alto e ansiava por aquele sexo pecaminoso... que aniversário seria.

Mas, haveria o pessoal esperando na noite seguinte e ele tinha de resistir a qualquer ataque daquela garota tentadora que insistia cada vez mais em comemorar o aniversário de Juvenal.

No começo, ele foi forte, pois havia combinado uma senhora noitada com os amigos e ia ser muito legal. Vendo-se já sentado à mesa com o pessoal, resistiu o quanto pôde àquele ataque da noiva.

Noite seguinte, foram chegando todos... Romero, o mais jovem foi o primeiro a chegar e já ia abrindo as latinhas de cerveja à medida em que os amigos chegavam.

Alceu, Vinicius, Betão, Naldo... estavam todos lá e nada do Juvenal.

Liga, não liga, liga, não liga, acabaram ligando para a casa dele.


- Alô, Juvenal está? Perguntaram à noiva que atendera ao telefone.

Ela, toda solícita, respondeu...

- Ora, vocês sabem que Juvenal não sabia dizer não a ninguém. Ontem ele tentou resistir, mas ficou louco de tesão e acabou perdendo a cabeça por mim...



Pois é, Juvenal.

Quem mandou nascer louva-a-deus??????????