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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sonho de consumo

Sonho de Consumo JAN14Fausto sempre alimentou o sonho do carro próprio.

Claro, não poderia ser qualquer carro. Teria de ser “o carro”. Carro não, automóvel!

Imaginava-se sentado ao volante do bólido, naturalmente um de apenas duas portas. Quatro? Nem pensar.

Passara a vida juntando todo o dinheiro que pôde para, finalmente, sair em campo atrás da máquina dos sonhos.

Sequer se lembrava de quantas vezes deixara de sair. Quantos nãos foram falados aos amigos, à namorada; tudo para guardar e conseguir comprar o possante antes dos 21 anos.

Havia uma meta a ser alcançada desde aquele ido ano de 2001 quando foi ao cinema assistir à estréia de Velozes e Furiosos. Saiu encantado com as máquinas que apareceram no filme.

Dominic Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Paul Walker) imediatamente foram postos no topo da galeria de heróis.

Passados poucos anos e o pai o leva a Interlagos para assistir a uma prova de Gran Turismo.

Ferraris, Lamborghinis, Porsches, Vipers e outras máquinas, passando a toda velocidade em frente àqueles olhos sonhadores, ao vivo e em cores, marcaram o objetivo de consumo como uma ideia fixa na cabeça do menino.

Era o objetivo. Um automóvel forte, veloz, de presença. Um que chamasse a atenção aonde quer que fosse.

Via-se passeando pelo litoral, andando devagar pela orla das praias, exibindo o carrão. Depois, pegando as estradas e dando uma abusada para sentir melhor o motorzão do bólido. A vida dos sonhos.

Finalmente, aos 21 anos, viu que não podia mais esperar. Chegara a hora.

Foi a São Paulo escolher, dentre as cinco marcas preferidas, aquele que seria a concretização do sonho antigo.

Viagem de pesquisa traçada, a primeira foi a Ferrari, na qual marcou um test drive para o dia seguinte.

A segunda visita foi na concessionária da Maserati. Ali teve o prazer, a honra, o privilégio, de já fazer o test drive com uma Gran Turismo V8.

Inenarrável a sensação de, pela primeira vez, andar num carrão desses. Ouvir o ronco do motor, sentir a direção. Pena que não podia acelerar. Uma voltinha no quarteirão que valeu a pena e aguçou ainda mais a vontade de ter seu próprio carro.

Por último, no primeiro dia, acabou a série de visitas em uma revenda da Porsche.

Não havia carro disponível para um test drive, mas sentar num Boxster, com a capota abaixada, fê-lo sentir-se meio dono do mundo.

À noite, deitado na cama, sonhava de olhos bem abertos, ouvindo cada ronco, sentindo cada cheiro, revendo as cores, os bancos de couro, os painéis... tudo era lindo.

Segundo dia e lá foi ele de volta a Sampa.

Primeira parada, volta à Ferrari. Resultado do test drive com um modelo California: NOOOSSSSAAAA!!!!!! Sem palavras.

Teste feito, foi para a Aston Martin.

Ali entrou a bordo de um conversível, modelo DB9 Volante. Que carro! Não pôde dirigi-lo, mas ligou o motor e ouviu o ronco bravo do bichão. Um ronco sedutor aos ouvidos de um fanático e encantado Fausto.

Terminou o dia testando uma Lamborghini Gallardo Spyder branca. Capota abaixada, vento no rosto e completa sensação de liberdade. O que mais poderia querer?

Voltou para casa, extasiado com toda a movimentação dos dois dias de verdadeiras aventuras com os carrões.

Sentou-se à mesa com todos os papéis que recolhera nas concessionárias.

Valores, formas de pagamentos, IPVA, seguros, licenciamento - foi lançando tudo na planilha Excel feita pelo seu irmão Flávio, verdadeiro “Rei da Planilhas”.

Pela planilha fez todas as comparações possíveis, examinando custos e benefícios de cada carrão.

Fez todos os cálculos, não se esquecendo de incluir os gastos com manutenção, e chegou a uma conclusão. O dia seguinte seria o grande dia.

Sabia bem o que tinha a fazer e, com o pé bem fincado no chão, faria. Doesse a quem doesse.

Entrou confiante na loja. Juntara dinheiro suficiente e pagaria à vista. Nada de dívidas. Carro quitado!

Sentou-se com o vendedor e fecharam o negócio e Fausto saiu dali dirigindo o eleito.

Ele sabia bem que sonho é sonho e realidade é outra coisa. Por isso a decisão com os pés no chão - nada de querer o mais caro ou o mais luxuoso. A dicotomia custo e benefício haveria de imperar.

E lá foi ele, todo satisfeito, pilotando aquele que se saiu melhor, e dentro de seu orçamento.

Ele e o pré-batizado Zezão, nome dado ao Celta branco comprado. Um modelo 2010, mas com direção hidráulica e ar condicionado.

domingo, 26 de setembro de 2010

O melhor lugar

Texto adaptado a partir de uma antiga piada... por que não?





Quando vi Ana Maria pela primeira vez, fazendo compras em um dos vários shoppings da capital paulista, senti que ali estava minha alma gêmea, minha cara metade.


Sim, Ana Maria era a nora com quem minha mãe sempre sonhou.


O coração bateu forte, dando todos os alarmes e lá fui eu... à caça.


Mas, agora era diferente, era para conquistar a mulher da minha vida e não apenas uma simples aventura.


Quando pensei em jogar todo o meu charme pra cima dela, tive uma surpresa mais que agradável: a recíproca era mesmo verdadeira. Ela sentira o mesmo por mim, numa magia que até hoje não consigo entender. Obra do cupido? Haveria uma flecha cupideana separada para nós?


Não sei, só sei que nos sentamos lá na praça da alimentação e por lá ficamos. Conversando e matando nossas curiosidades até que os seguranças nos convidaram a sair, pois o shopping ia fechar.


Levei-a para casa e lá conheci meus futuros sogros e minha cunhadinha... Ah... minha cunhadinha.


Tudo foi muito rápido e em dois anos estávamos com o casamento marcado e eu, mesmo com a certeza de haver encontrado a mulher certa, mantinha a cunhadinha sempre em meus pensamentos.


Não era para menos. Desde aquela noite em que nos conhecemos, ela sempre se mostrou atrevidamente bela, sem pudores em expor seus atributos e, dentro do possível, mesmo com os pais ou Ana Maria por perto, lançava-me olhares descarados, convidando-me ao prazer carnal.


Uma tarde, sozinhos em casa, ela se jogou sobre mim, intimando-me a subir as escadas. Algo que ela fez, exibindo as coxas maravilhosas por baixo daquela minissaia que nada escondia. Lá do alto, lançou-me um olhar mais que atrevido, tirou a calcinha e jogou-a para mim.


Que fazer? Sozinhos ali? Pensei em Ana Maria, nos sogros e na cunhadinha. Dane-se. Saí correndo da casa, já com as chaves do carro nas mãos.


Surpresa ao sair. Meus sogros e Ana Maria estavam ali, no portão de entrada, com enormes sorrisos nos rostos.


O sogrão abraçou-me bem apertado e elogiou-me dizendo que agora tinha certeza de que eu era o homem certo para a filha dele, que eu era fiel, que não havia sucumbido ao teste que bolaram para se certificarem disso.


Ana Maria foi logo dizendo nunca haver acreditado que eu pudesse ser-lhe infiel, que o teste era obra do pai e assim o exigira. Que me amava etc e tal.


Abracei-a dizendo juras de amor, pois só ela importava para mim. O teste? Não tinha qualquer importância, afinal ele só provara o amor que sentia por ela.


Entramos na casa para comemorar e eu, todo feliz, em meus pensamentos somente agradecia o fato de nunca guardar camisinhas na carteira e, sim, no carro.


Que maravilha de ideia.