sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Carnaval - parte 2

000 Capa 2

Mais algumas musiquinhas gostosas de se ouvir.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Por um mundo não comunista

Muro de Berlim

Queda do Muro de Berlim - Novembro de 1989

Foto: Gavin Stewart

Dia desses li uma frase que me chamou a atenção.

Era algo assim:

              “Comunista é aquele que leu Marx.
               Anticomunista é aquele que entendeu Marx.”

Esperem, vou pôr um parêntese aqui:

Não estou comentando sobre partidos políticos, quaisquer que sejam, vamos deixar isso bem claro aos antipetistas e aos petistas. Não quero abrir discussões sobre isso aqui.

Bem, voltemos ao texto.

A ideia do comunismo não é algo recente, e nem é tão fruto assim da imaginação de Karl Marx e seu amigo Engels. Platão (427-347 a.C.) já pensara isso lá atrás... bem lá atrás, afinal foi antes de Cristo.

O filósofo grego queria extinguir as propriedades privadas e as famílias; os filhos seriam criados pelo Estado, tudo em prol da comunidade, cujos interesses sobrepujariam quaisquer interesses individuais.

E todo mundo “viveria igual, feliz e quietinho”, como vaquinhas em um presépio.

Na Idade Média, os feudos e o exagerado enriquecimento da Igreja também deram origem a movimentos com o intuito de abolir as desigualdades. Alguns religiosos, eu diria: os mais espertos, defendiam que a nobreza fosse extinguida e apoiavam a revolta dos camponeses como base para uma nova justiça social.

O Britânico Thomas Morus, no século XVI, também questionava os valores da época em favor de uma sociedade ideal. Ele escreveu “Utopia”, obra que apontava bases para que o comunismo subordinasse a individualidade em favor do coletivo.

No século XVII, com a Revolução Inglesa, os trabalhadores reivindicaram o fim das propriedades privadas e que as riquezas fossem igualadas coletivamente.

Como se pode ver, comunismo é algo que vem sendo tentado há mais de 2400 anos, sem sucesso.

Marx, de quem muito se fala hoje em dia, não fugiu às regras das tentativas anteriores.

Resumindo, bastante, a ideologia de Karl Marx:

Acabam as desigualdades; as classes subordinadas tomam o controle do Estado.

Desta forma, ao novo Estado, agora gerido pelas classes subordinadas, fica a missão de pôr em prática mudanças a favor do fim das desigualdades, não só sociais, mas também econômicas.

Um governo fixado nos interesses dos trabalhadores que ao longo do tempo reforçaria a ideia do comunismo, culminando com a extinção do Estado em favor da sociedade, uma sociedade em que as riquezas seriam distribuídas igualmente àqueles que contribuíssem com sua força de trabalho. Nem pobres, nem ricos.

É isso que Karl Marx tratou na obra O Capital. Em seu livro, ele defende a tomada do poder pelos empregados das fábricas e a adoção de uma economia planejada que poria fim às desigualdades e supriria todas as necessidades dos indivíduos.

De todas essas tentativas infrutíferas de fazer valer um Estado proletário, tiro uma conclusão bastante simples: o ser humano é dotado de sentimentos? Se a resposta for um sim, toda a teoria vem por água abaixo.

A meu ver, o comunismo somente daria certo em uma comunidade robótica, em que ninguém tivesse vontade ou qualquer outro sentimento. Contudo, uma lobotomia geral não faz sentido algum.

Insisto que se pensam nisso desde Platão, há mais de 2400 anos e, nesse tempo todo, não deu certo, por que daria agora? Não deu, não daria e nunca dará - o ser humano continuará sendo um ser pensante, com vontade própria.

O muro caiu na Alemanha comunista, terra de Marx, e ela se juntou à Alemanha Ocidental porque viu que não dava mesmo certo. Fim do comunismo no país, ou melhor, fim do país.

A outrora forte União das Repúblicas Socialistas Soviéticas desmembrou-se e hoje temos eleições presidenciais na Rússia.

Dois bons exemplos de países com pessoas inteligentes que souberam ver a impossibilidade da aplicação do comunismo, haja vista que, na época, o povo vivia à míngua e os poucos no poder cada vez mais fortes e ricos. Quede a distribuição igualitária que nunca houve?

Outros dois exemplos marcantes: Cuba e Coreia do Norte - dois países notadamente comunistas em que o povo nada tem e os donos do poder vivem uma vida nababesca.

Onde foram parar as ideias da divisão, da igualdade? Fim do Estado? Só rindo para não chorar.

Acabo dando razão ao dono da frase acima e, vou além:

No mundo sempre valeu muito mais o ter que o ser. Por isso acho que o comunista, tendo ou não lido Marx, deixa de ser comunista:

a) No primeiro instante em que cessar a locupletação que o sustenta.

b) No primeiro instante em que for prejudicado de forma direta, principalmente se afetado em sua economia,  pelas ações do comunismo.

Os que entenderam, perceberam que as ideias são mais que utópicas, que o ser humano não é um dos personagens sagrados do livro A Cabana (Elousia, Emanuel e Sarayu), especialmente no trecho abaixo:

- “... não existe o conceito de hierarquia entre nós, apenas de unidade (...). 
Os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.”

Esta é a minha opinião. Cada um tem a sua.

Sugestões de leitura:

1) Um experimento socialista

2) A Cabana. Não leu? Clique aqui e leia minha resenha postada em 22/09//2009.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

CMA CGM TIGRIS

Capa 3

O CMA CGM Tigris iniciou as operações nos portos brasileiros nessa sexta-feira, 06 de fevereiro de 2015, quando atracou no cais do terminal Libra-47, em Santos.

Este é o maior navio que opera nos nossos portos, possui 300 metros de comprimento (quase três campos do Pacaembu) e é mais largo que a Avenida Paulista.

Se você curte navios full containers, dê uma olhada no vídeo abaixo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O jardim das praias de Santos

Capa vídeo

Este jardim dispensa apresentações.

Quer relaxar... tirar o estresse? Dê uma volta por ele.

O vídeofoto abaixo prova isso.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quero ser livre!

Quero ser livreSe ele gostava da família? Claro!

A mulher e os três filhos eram companheiros, viviam sempre juntos nas dores e nas alegrias. Havia uma cumplicidade legal por ali e todos se ajudavam.

Entretanto, estranhamente algo faltava na vida de Pedro. Tudo era alegria, mas nem tudo eram flores.

Ele sentia uma necessidade premente de ser totalmente livre, ter a vida dele só para ele.

Não, não era egoísmo, era um sentimento diferente que o atordoava dia a dia.

Queria viajar, acordar a hora que bem entendesse, sem rotinas diárias, sem levar ninguém para a escola, sem as lições de casa... queria jogar o relógio fora.

A preocupação com a família não poderia ser deixada de lado; a obrigação do sustento era dele.

Lá ficava ele, o anjinho de um lado dizendo-lhe para ficar com a família e o diabinho do outro fazendo pressão para “se mandar”, viver a vida de uma forma gostosa, sem compromissos.

Pedro tinha um bom trabalho, era otimamente remunerado e mantinha um padrão de vida excelente. Talvez fosse isso.

Como podia fazer praticamente de tudo com o salário que recebia, ele tinha poucos prazeres, pois tudo era lugar comum.

Alguns amigos que também sentiam o mesmo e haviam partido para o consumo de drogas, trocas de casais ou outras estripulias às quais ele era totalmente contra. Impossível imaginar-se fazendo este tipo de coisa - drogas? Nunca! A mulher dele com outro? Jamais!

Com resolveria a questão?

Aquele tormento já estava gerando conflitos no viver dele, tanto no trabalho quanto no lar. Tinha que dar um jeito.

Sempre pensando no futuro da família, sem ele, há alguns anos fizera um bom seguro contratado com um amigo que era corretor, com um prêmio alto o bastante para que todos vivessem tranquilamente.

Caso algo de ruim acontecesse e ele faltasse, a mulher e os filhos ficariam muito bem.

Ao receber uma ligação desse amigo, para tratarem da renovação do seguro, foi que uma luz acendeu-se em sua cabeça. Uma ideia meio maluca. O seguro!

Marcou com o amigo, renovou o seguro dando um bom aumento no valor que caberia à família caso houvesse algum sinistro.

E continuo vivendo a vida, agora com uma nova perspectiva pela frente: dar tempo ao tempo para pôr o plano mirabolante em prática.

Dois meses depois, em uma noite, descendo a Serra do Mar pela Via Anchieta - gostava de ver as luzes da Baixada Santista lá do alto, vista que a Imigrantes não fornecia com seus túneis infindáveis - a vida lhe foi ceifada violentamente.

Pelo que se soube, um caminhão abrira demais a curva para ultrapassá-lo, de forma arriscada, e lançou o carro de Pedro abismo abaixo.

Um grande estrondo, uma grande explosão (parecia filme de Hollywood)... acabou.

Tudo o que a família chorosamente conseguiu recuperar de Pedro foi um monte de uma massa calcinada daquilo que um dia fora um ser humano.

O reconhecimento só foi possível pela arcada dentária - não sobrara nada.

A família continuou bem, com o mesmo padrão de vida, e muito agradecida ao marido e pai amado que havia se preocupado com seu bem estar e providenciara tudo. Um homem prevenido que amava mesmo a família.

Acabou...

Sim, Pedro não existia mais.

Ali morreu um chefe de família para sempre idolatrado e nascia uma nova pessoa.

Nascia o Henrique, um homem livre, leve e solto.

Um desconhecido para quem Pedro também fizera um ótimo seguro há dois meses, não com o amigo, mas com um corretor lá do Nordeste, durante uma viagem a trabalho.

A pior parte para Pedro foi ter comprado o corpo de um mendigo. Mexer com aquilo não era mesmo a praia dele.

Não menos difícil foi gastar uma boa grana com um dentista para que ele mapeasse a dentadura do cadáver e fizesse um prontuário odontológico como se aquela arcada fosse de Pedro.

Coincidentemente, quando do acidente, a ficha estava na casa dele, aos cuidados da esposa, que os levaria ao dentista dela dali a dois dias, já que haviam combinado que Pedro passaria a usar o dentista da esposa.

Assim, foi fácil identificar aquele corpo no carro como sendo de Pedro.

E o Henrique?

Bem, Henrique deixou seu relógio no carro, nunca mais comprou outro e foi viver em um sítio no interior de Goiás fazendo o que queria, quando queria e como queria.

Não é que o filho da mãe se deu bem?

Moral amoral da história:

o crime não compensa, mas,

quem não arrisca, não petisca.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Vida no campo

Vida no campoJoaquim sempre pensou bem diferente do pai, o “Seu Pedrão”, homem das antigas, cabra bruto que sabia o que queria da vida.

Seu Pedrão mantinha crioulos em sua propriedade. Com baixo custo e grandes trabalhadores, eram ótimos especialmente na hora de manejar o gado leiteiro, a menina dos olhos do dono daquela fazenda no interior do Rio Grande do Sul.

Ele não só os tinha como também se vangloriava disso.

Contava vantagens, falando para quem quisesse, ou não, ouvir:

- Crioulo é tão bom que todos tinham que ter, ao menos, um à sua disposição.

Joaquim, rapaz mais da cidade e antenado às coisas modernas, só via problemas naquelas ideias do pai, as quais lhe eram impostas e estava fadado a ter que aceitá-las - como enfrentar o Seu Pedrão?

O jovem queria era distância daquele mundo em que ele se sentia tão escravo quanto os crioulos que, querendo ou não, trabalhavam nos sete dias da semana, sem feriados, sob chuva ou sol forte e enquanto durasse a luz do dia - por vezes, estavam na lida mesmo depois de anoitecer.

- Por que Juca? Por que você é contra termos esses crioulos aqui na fazenda. Perguntava um pai esperançoso de que suas ideias fossem aceitas.

E continuava: - eles são ótimos, são baratos e muito prestativos. Se ficam meio rebeldes, o uso do chicote faz um efeito ótimo e eles voltam a seus lugares e a serem plenamente obedientes.

Definitivamente não compartilhavam da mesma opinião.

Aquilo não era o século XVIII; estavam em pleno século XXI e o pai ainda falava em chicote!

Para Joaquim, um grande absurdo.

Buscava a cumplicidade da mãe e das duas irmãs, mas de nada adiantava. Jamais elas iriam contra o chefe da família.

Com o irmão não poderia contar de forma alguma. João tinha o mesmo pensamento do pai e, com seu próprio dinheiro, já havia comprado uns quatro e posto para trabalhar na fazenda.

É, não dava mesmo para contar com o irmão. Estava sozinho naquela empreitada.

O sonho era partir dali, ir de uma vez por todas para a cidade, abandonar a vida no campo, uma vida para a qual ele realmente não havia nascido.

Para tanto, estudou com afinco. Queria ser alguém na vida, bem longe daquilo tudo.

Iria à fazenda apenas para matar a saudade da família, mas longe de todo e qualquer tipo de trabalho no campo.

Com o tempo, o rapaz atingiu seu objetivo. Mudou-se para a cidade, ingressou na faculdade de direito e, como melhor aluno da turma, logo conseguiu um estágio muito bem remunerado.

Trabalhava e era dignamente pago por isso. Seu sustento estava garantido e já podia dispensar a ajuda da família. O que fez mais do que depressa.

Libertara-se de vez da vida no campo, mergulhando de cabeça no século XXI. Tudo o que ele queria.

Não havia mais mato, plantação, gado, chicotes para forçar o trabalho, acordar de madrugada e dormir super cedo, aquele cheiro horrível... tudo havia ficado no passado.

A vida dele era outra, bem melhor.

Mas, estranhamente a fazenda não saía da cabeça de Joaquim e era difícil conviver com aquele sentimento.

Ele sabia que havia algo naquele estilo de vida que os pais e os irmãos levavam que tinha de mudar.

Mudar aquilo, levar a modernidade ao local, uma melhoria na vida, especialmente da mãe e das irmãs era responsabilidade dele.

O problema: como enfrentar a cabeça dura do pai?

Soube, por um amigo, que iria acontecer uma feira em Passo Fundo, cidade também ao norte do estado e não muito longe da fazenda dos pais, a Agrotecnoleite estava prestes a abrir as portas para visitação.

Era uma feira que visava a melhoria da qualidade da produção de leite no estado, com tecnologia avançada e equipamentos tanto para o gado quanto para a agricultura.

Plano bolado, estratégia pronta, fez contato com o pai.

- Pai, neste final de semana estou indo para casa. Vou buscar o senhor e o João para levá-los a um lugar especial. Tenho certeza de que vão gostar. Está marcado.

Desligou sem dar tempo para reclamações ou perguntas.

No sábado, logo pela manhã, lá estava Joaquim e, como não era mais aquele menino franzino e sim um homem feito e independente, “sequestra” o pai e o irmão. Estavam meio relutantes, mas cederam.

Na feira, os olhos da dupla fazendeira brilharam como o sol e os dois ficaram maravilhados com o que viram.

Não eram contra a modernidade, apenas não tinham a cultura necessária para conhecê-la.

Quando notaram como poderia ser a vida usando tudo aquilo que existia, cederam aos desejos de Joaquim.

Joaquim via ali um novo pai e um novo irmão.

Os três analisaram e estudaram todas as possibilidades, o custo e o benefício e, como dinheiro não era problema, já que ganhavam e não gastavam, puderam adquirir tudo aquilo que seria necessário para mudar a vida na fazenda.

Novos galpões para ordenha, agora mecanizada, máquinas plantando e colhendo, a produção aumentando... tudo novo na fazenda.

Até a casa ganhou uma reforma completa e o antigo fogão à lenha virou peça de museu.

As mulheres curtiram muito os novos aparelhos: fogão, freezer, forno micro-ondas, forno elétrico, televisor que pegava vários canais e não só alguns poucos...

Seu Pedrão agora ia para cima e para baixo pilotando uma picape cabine dupla com tração nas quatro rodas.

Joaquim sentiu-se realizado. Não que, por não gostar, achasse o modo de vida da família errado. Ele sabia que eles poderiam ter uma vida melhor - exatamente esta que tinham agora - só que eles não se tocavam disso.

E quanto aos crioulos?

Ora, eles trabalham bem menos e são até mais usados para diversão, mas continuam por lá, afinal - e em especial no Rio Grande do Sul - é a raça de cavalo certa para a lida no campo.